Justiça

Boicote político em MG: listas atingem negócios e OAB alerta para crimes

Ilustração de listas com nomes de empresários mineiros circulando em redes sociais, simbolizando boicote político após eleições
Listas de boicote político em MG expõem empresários e geram alerta da OAB sobre crimes eleitorais

Listas com nomes de empresários e profissionais que teriam votado em Lula circulam em redes sociais mineiras, gerando perda de clientes e ameaças de demissão. A Ordem dos Advogados do Brasil no estado já classificou a prática como potencialmente criminosa. O que começou como retaliação política pode terminar em processos judiciais e multas pesadas.

O movimento ganhou força nos dias seguintes ao segundo turno, em 27 de outubro. Em cidades do interior, consumidores são orientados a evitar comércios e escritórios cujos donos teriam declarado apoio ao presidente eleito.

O que a lei diz sobre retaliação comercial

Subseções da OAB-MG em Lavras e Cambuí publicaram notas oficiais repudiando as listas. A entidade afirma que a liberdade de expressão não autoriza expor trabalhadores a riscos econômicos por escolhas políticas.

Advogados alertam: a divulgação de “listas negras” pode configurar dano moral coletivo, coação no curso do processo e até crime contra a organização do trabalho. As penas variam de indenizações civis a reclusão, dependendo da gravidade.

Impacto real nos pequenos negócios

Em Unaí, a confeiteira Cássia Alves relatou em vídeo que orçamentos já aprovados foram cancelados após seu nome aparecer em um grupo de boicote. Ela contou ter construído a própria casa durante gestões petistas e questionou: “Vou cuspir no prato que comi?”.

Já em Montes Claros, o empresário Pecê Almeida Jr. desafiou os organizadores a publicarem que não aceitam dinheiro de eleitores de Lula. “Intolerância não constrói país”, escreveu.

  • 212 denúncias de assédio eleitoral registradas pelo MPT-MG no dia da votação
  • 223 casos contabilizados dois dias depois — alta de 5% em 48 horas
  • 2.105 queixas em todo o Brasil no mesmo período

Assédio eleitoral escala após o pleito

Os números do Ministério Público do Trabalho revelam que a pressão não parou nas urnas. Relatos envolvem ameaças de demissão, constrangimento em ambientes corporativos e vigilância de redes sociais de funcionários.

A deputada estadual Leninha (PT) orientou vítimas a guardarem prints, áudios e testemunhas. “Ninguém pode perder o sustento por pensar diferente”, declarou. Ela recomendou procurar a Polícia Civil ou o MPT imediatamente.

O que observar nas próximas semanas

Especialistas preveem judicialização em massa se as listas não forem removidas voluntariamente. O MPT-MG já sinalizou que investigará padrões coordenados de intimidação. Para empresários, o recado é claro: retaliar politicamente pode custar mais caro que qualquer perda de clientela ideológica.