Justiça

Operação desmantela esquema de R$ 3 mi em licitações de uniformes; 7 cidades na mira

Agentes do Gaeco em operação contra fraude em licitações de uniformes no MS
Operação Trama Oculta investiga cartel de R$ 3 milhões em 15 pregões de uniformes escolares e esportivos.

Uma rede de empresários do setor de confecção é suspeita de manipular pregões públicos para inflar contratos de uniformes e material esportivo em Mato Grosso do Sul. A Operação Trama Oculta, deflagrada nesta quarta-feira (28) pelo Gaeco, mira fraudes que somam cerca de R$ 3 milhões em 15 licitações sob investigação. O esquema funcionava como um cartel: concorrentes combinavam valores antes de apresentar propostas, criando uma disputa de fachada.

Como a engrenagem foi descoberta

Tudo começou com a análise de um celular apreendido na Operação Malebolge, em fevereiro de 2025. Mensagens e planilhas revelaram comunicações entre donos de confecções combinando lances e repartindo mercados. O material levou promotores a mapear um padrão repetido em editais de prefeituras e órgãos estaduais.

Segundo o Ministério Público, em alguns casos servidores públicos teriam sido cooptados para facilitar a execução do esquema — seja ajustando especificações técnicas ou agilizando pagamentos. A investigação não aponta nomes de agentes públicos até o momento.

O alvo no Centro de Campo Grande

A Galeria dos Esportes, loja tradicional na esquina das ruas Sete de Setembro e Rui Barbosa, foi um dos endereços visitados por agentes do Gaeco com apoio do Bope. Mandados de busca e apreensão visavam recolher computadores, documentos fiscais e dispositivos de armazenamento que possam confirmar a participação da empresa no cartel.

O advogado Mário Guarnieri, que acompanhou a diligência, declarou que a defesa ainda não teve acesso à íntegra do processo nem à decisão judicial que autorizou a medida. “Vamos aguardar o conteúdo dos autos para nos manifestar”, resumiu.

Mapa da operação: sete municípios simultâneos

A ação não se restringiu à capital. Equipes cumpriram 28 mandados de busca e 14 medidas cautelares diversas da prisão nas seguintes cidades:

  • Campo Grande
  • Anastácio
  • Caarapó
  • Dourados
  • Mundo Novo
  • Jardim
  • Sidrolândia

A amplitude geográfica sugere que o cartel atuava em editais de diferentes portes, desde pequenas prefeituras do interior até órgãos da administração estadual.

O modus operandi do cartel

Investigadores descrevem três etapas padrão:

  1. Reunião prévia: empresários definem quem vencerá cada lote e a que preço.
  2. Propostas combinadas: cada empresa apresenta valores ligeiramente diferentes para simular concorrência.
  3. Execução e rateio: o vencedor executa o contrato e repassa parte do lucro excedente aos demais.

Esse mecanismo elimina a vantagem do pregão eletrônico — a disputa real de preços — e transfere o sobrepreço para o erário.

O que observar nos próximos passos

O material apreendido passará por perícia digital e contábil. Cruzamento de notas fiscais, e-mails e planilhas pode ampliar o número de licitações suspeitas e revelar se o esquema se estende a outros segmentos além de uniformes e artigos esportivos.

Para gestores públicos e fornecedores idôneos, o sinal de alerta é claro: editais com especificações excessivamente direcionadas, prazos curtos para impugnação e mesmo grupo de empresas vencendo repetidamente são indícios que merecem auditoria preventiva. Acompanhar os desdobramentos da Trama Oculta será essencial para entender até onde alcança a ramificação desse cartel — e quais prefeituras terão contratos anulados ou valores devolvidos aos cofres municipais.