Justiça

O segredo por trás do ranking de reclamações que explode em Juiz de Fora…

Gráfico do ranking de reclamações Procon Juiz de Fora 2026: TIM líder, Banco Mercantil e Bradesco no topo
Ranking de queixas do Procon JF no 1º semestre de 2026 mostra TIM na liderança seguida por Banco Mercantil e Bradesco.

A TIM lidera o ranking de queixas no Procon de Juiz de Fora no primeiro semestre de 2026, seguida por Banco Mercantil do Brasil e Bradesco. O órgão realizou mais de 2,8 mil audiências no período, mas a capacidade real de resolução desses conflitos expõe um abismo entre as marcas. Entender essa diferença é vital para quem negocia contratos ou avalia riscos de fornecedores.

O levantamento da 10ª edição do boletim “Fornecedor em Foco” não revela o volume total de queixas, apenas as empresas mais citadas. A lista mistura telecom, varejo, energia e instituições financeiras. O dado que chama atenção, porém, está na taxa de acordos fechados nas audiências: a efetividade da defesa do consumidor varia drasticamente dependendo de quem está do outro lado da mesa.

O abismo entre ser acionado e resolver

A TIM foi convocada para 80 audiências e fechou acordo em 54, atingindo 67,5% de resolução. Parece alto até comparar com o Banco Mercantil do Brasil: mesmo número de convocações (80), mas apenas 13 acordos. O índice despenca para 16,25%. O Bradesco segue padrão similar: 111 convocações e só 17 soluções (15,32%).

No extremo oposto, o Mercado Livre registrou o pior desempenho detalhado: 66 audiências e meros 4 acordos. Isso representa 6,06% de efetividade. O Itaú Unibanco não fica muito atrás, com 10,96% (8 acordos em 73 convocações). Seis das dez empresas analisadas fecharam o semestre com índice de resolução abaixo de 50%.

Quem melhorou e quem piorou frente a 2025

A comparação com o segundo semestre de 2025 revela movimentos bruscos. O Grupo Casas Bahia saltou de 36,2% para 55,17% de resolução, o maior avanço positivo do relatório. Magazine Luiza (50,68%) e Vivo (56,94%) também mantêm patamares acima da média.

Do lado negativo, a TIM caiu de 81,1% para 67,5%. O Mercado Livre despencou de 23,53% para 6,06%. O Bradesco recuou de 27,3% para 15,32%. A tabela abaixo resume o cenário das dez empresas com dados de audiência disponíveis:

  • Grupo Casas Bahia: 116 convocações | 64 acordos | 55,17%
  • Vivo: 72 convocações | 41 acordos | 56,94%
  • TIM: 80 convocações | 54 acordos | 67,50%
  • Magazine Luiza: 73 convocações | 37 acordos | 50,68%
  • Nio Fibra: 89 convocações | 36 acordos | 40,45%
  • Banco BMG: 84 convocações | 22 acordos | 26,19%
  • Banco Mercantil do Brasil: 80 convocações | 13 acordos | 16,25%
  • Bradesco: 111 convocações | 17 acordos | 15,32%
  • Itaú Unibanco: 73 convocações | 8 acordos | 10,96%
  • Mercado Livre: 66 convocações | 4 acordos | 6,06%

A pressão regulatória aumenta

O Procon não se limitou a publicar números. No primeiro semestre, convocou reuniões com oito fornecedores de alto volume de queixas: Grupo Casas Bahia, Banco Mercantil do Brasil, Mercado Livre, Itaú, Magazine Luiza, BMG, Nio Fibra e Vivo. A exigência é concreta: apresentar planos de ação com metas e prazos para reduzir reclamações e melhorar o atendimento.

As respostas corporativas seguem o script esperado. TIM, Bradesco, Mercantil, Casas Bahia, Itaú, BMG, Vivo e Magalu enviaram notas reforçando compromisso com a melhoria contínua, investimentos em canais e respeito ao cliente. Cemig, Nio, Claro e Mercado Livre não se manifestaram até o fechamento do relatório. O Magalu, inclusive, contrapondo dados de outras plataformas (Reclame Aqui, Consumidor.gov.br), cita índices de solução acima de 80% nesses ambientes.

O que observar daqui para frente

Para gestores e investidores, o sinal claro está na execução dos planos de ação exigidos pelo Procon. Empresas com alta convocação e baixa resolução (Mercantil, Bradesco, Itaú, Mercado Livre) carregam risco reputacional e operacional elevado. Já a trajetória do Grupo Casas Bahia sugere que a pressão regulatória surtindo efeito prático.

O próximo boletim, referente ao segundo semestre de 2026, será o termômetro definitivo: mostrará se as atas de reunião viraram processos internos eficazes ou se o ciclo de audiências improdutivas se repetirá. Acompanhar a evolução dos índices de resolução — não apenas o volume de queixas — é o indicador mais confiável de saúde no relacionamento com o consumidor na região.