Economia

Dólar sobe com Fed no radar; fiscal e petróleo ampliam tensão no Brasil

Gráfico financeiro mostra dólar a R$ 5,36 com indicadores de alta e tensão fiscal
Dólar abre em alta a R$ 5,3586 com mercado atento à decisão do Fed e pressão do petróleo

O dólar abriu esta quarta-feira (28) em alta de 0,16%, cotado a R$ 5,3586, enquanto investidores aguardam a decisão do Federal Reserve prevista para o meio da tarde. O Ibovespa inicia os negócios às 10h sob pressão de três frentes simultâneas: juros americanos, contas públicas brasileiras e petróleo em disparada.

O que o Fed decide hoje muda seu bolso amanhã

Segundo o CME Group, a ampla maioria do mercado aposta na manutenção das taxas nos EUA. Ainda assim, as falas do presidente da instituição, Kevin Warsh, podem sinalizar os próximos passos. Juros altos por lá mantêm a Selic pressionada por aqui — e o câmbio sensível a qualquer ruído.

Com as taxas americanas em patamar historicamente elevado, o Banco Central brasileiro tende a segurar a Selic alta por mais tempo. Isso encarece o crédito, freia a atividade e eleva o custo da dívida pública.

Fiscal: governo promete lei para meta de 2027

Após a reeleição de Lula, a cobrança por ajuste fiscal intensificou-se. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou que enviará ao Congresso um projeto de lei fixando o compromisso de atingir o centro da meta fiscal em 2027.

Na prática, mirar o centro da meta pode exigir bloqueios orçamentários mais severos ao longo do ano, limitando gastos dos ministérios. Durigan admitiu que outras medidas estão em avaliação para reforçar a credibilidade das contas públicas, mas não detalhou quais.

Imposto do pecado sai do papel esta semana

A regulamentação do Imposto Seletivo — batizado de “imposto do pecado” — deve ser encaminhada ainda nos próximos dias. O tributo, criado pela reforma do consumo, começa a valer em 2027 e incidirá sobre:

  • Bebidas alcoólicas, refrigerantes e cigarros
  • Veículos, conforme nível de poluição
  • Extração de bens minerais
  • Loterias, apostas e fantasy sports

O objetivo é desestimular consumo prejudicial à saúde e ao meio ambiente, gerando receita adicional.

Petróleo salta com tensão no Oriente Médio

O barril do Brent avançava 1,16% a US$ 115,20, enquanto o WTI subia 1,83% a US$ 101,73. O Wall Street Journal reportou que os EUA orientaram países do Golfo a prepararem-se para possível ação militar contra o Irã após as eleições legislativas de 3 de novembro.

Petróleo mais caro pressiona a inflação global, complica o trabalho dos bancos centrais e eleva o custo de combustíveis no Brasil — efeito direto no IPCA e, por consequência, na Selic.

O placar da semana até aqui

Ativo Semana Mês Ano
Dólar +7,15% +3,40% -2,52%
Ibovespa -14,33% -5,71% +9,05%

A bolsa brasileira acumula queda expressiva na semana, refletindo a aversão a risco global e as incertezas domésticas.

Ásia respira aliviada; Europa e EUA abrem depois

Enquanto o Ocidente espera o Fed, mercados asiáticos fecharam em alta. O índice de Xangai e o CSI300 subiram 0,9%, puxados por resultados otimistas da fabricante de chips SK Hynix. O Nikkei (Japão) avançou 1,08%, o Kospi (Coreia do Sul) saltou 6,63%, e Hong Kong ganhou 0,23%.

O que observar nas próximas horas

A decisão do Fed às 15h (horário de Brasília) e a coletiva de Warsh ditam o ritmo imediato. No front doméstico, a tramitação do projeto de meta fiscal e o envio da regulamentação do imposto seletivo testam a disposição política para ajuste. No petróleo, qualquer escalada no Oriente Médio pode empurrar o Brent para acima de US$ 120 — cenário que forçaria revisão nas projeções de inflação e juros no Brasil.

Para o investidor, a combinação de dólar forte, Selic alta e fiscal incerto exige posição defensiva em renda fixa atrelada à inflação e exposição seletiva em ações com poder de repasse de custos.