Economia

O segredo por trás da alta de 5,2% nas flores de Finados…

Arranjo de crisântemos coloridos em floricultura para Dia de Finados 2026
Flores de Finados: vendas crescem 5,2% impulsionadas por novo hábito de consumo contínuo.

O Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor) projeta alta de 5,2% nas vendas para o Dia de Finados de 2026. O motor desse crescimento, porém, não está nos cemitérios. Entenda como a mudança de hábito das famílias está redefinindo o calendário do setor.

A data, celebrada na segunda-feira (2), responde sozinha por cerca de 8% do faturamento anual do segmento. Para o empresário do ramo, o recado é claro: a sazonalidade tradicional está perdendo força para um modelo de consumo contínuo.

O fim da sazonalidade pura no varejo de flores

Historicamente, o pico de demanda se concentrava nas 48 horas que antecedem a visita aos túmulos. O diretor do Ibraflor, Renato Opitz, aponta uma ruptura nesse padrão. A flor migrou do jazigo para a sala de estar.

Essa transição transforma uma compra de impulso, descartável, em um item de decoração permanente. Vasos de plantas ornamentais substituem buquês de corte, estendendo o ciclo de vida do produto na casa do cliente — e o ticket médio no caixa do lojista.

Quais espécies puxam o faturamento

O mix de produtos mais procurado revela a preferência por durabilidade. A lista abaixo concentra o volume de pedidos para a data, segundo dados do instituto sediado em Holambra (SP):

  • Crisântemos: ainda o carro-chefe tradicional da data;
  • Kalanchoes e Antúrios: alta resistência e floração prolongada;
  • Rosas em vaso e Rosas-do-deserto: apelo estético forte para ambientes internos;
  • Violetas e Orquídeas Phalaenopsis: ticket médio mais alto, foco em presente de maior valor agregado.

Produtores que ajustarem a grade de cultivo para essas variedades tendem a capturar margens melhores do que os focados apenas em flor de corte descartável.

A lógica do vaso que fica o ano inteiro

O movimento “homenagem em casa” cria um efeito cascata no varejo. Quem compra um vaso de orquídea ou rosa-do-deserto em novembro costuma retornar para adubos, substratos e cachepôs nos meses seguintes.

Floriculturas que oferecem serviço de manutenção ou assinatura de reposição de plantas secas convertem o cliente sazonal em receita recorrente. É a diferença entre vender um buquê de R$ 40,00 uma vez por ano e faturar R$ 150,00 ao longo de doze meses com o mesmo consumidor.

O que observar nos próximos ciclos

A projeção de 5,2% para 2026 sinaliza maturidade da tendência, não um pico isolado. Para o investidor e o gestor, os indicadores a monitorar são a taxa de recompra no primeiro trimestre do ano seguinte e a participação de plantas envasadas no mix total de novembro. Quem estruturar estoque e logística pensando no “pós-Finados” sairá na frente na próxima safra.