A transição de governo no Paraná arranca no dia 5 de novembro com uma equipe enxuta de 20 pessoas e um cronograma que se encerra na véspera da posse, em 5 de janeiro de 2027. O decreto publicado no Diário Oficial desta terça (27) define as regras de acesso a dados sensíveis da máquina estadual. O que está em jogo nos próximos 60 dias pode definir o ritmo da nova gestão desde o primeiro dia.
Como funciona a divisão de poder na transição
O colegiado será paritário: dez indicados pelo atual governador Ratinho Junior (PSD) e dez pelo governador eleito Sergio Moro (PL). Pelo lado da administração atual, quem comanda os trabalhos é Renato Adur, superintendente-geral de Relações Institucionais. A equipe de Moro terá como base o Chapéu do Pensador, espaço cedido dentro do Bosque da Copel, no bairro Bigorrilho, em Curitiba.
O decreto tem vigência até 5 de janeiro de 2027 — um dia antes da posse oficial. Nesse intervalo, a equipe de transição terá acesso a:
- Contas públicas e demonstrativos financeiros
- Estrutura organizacional completa do Estado
- Programas, projetos e ações em andamento
- Assuntos que exigem providências nos primeiros 120 dias do novo mandato
O que a equipe de Moro precisa mapear até janeiro
O prazo curto — pouco mais de 60 dias úteis — pressiona a equipe entrante a priorizar. O decreto exige levantamento de informações que viabilizem a implementação imediata do novo governo. Isso inclui contratos vigentes, restos a pagar, convênios federais e passivos ocultos que só aparecem no detalhe da contabilidade.
Renato Adur, coordenador pelo lado atual, conhece a máquina por dentro. A contrapartida de Moro será montar um time capaz de ler esses dados com olhar de gestão, não apenas de compliance. A escolha dos dez nomes do lado eleito sinaliza quais áreas terão prioridade: fazenda, segurança, saúde, infraestrutura e articulação política costumam liderar a lista.
Por que o Chapéu do Pensador virou quartel-general
A cessão do espaço no Bosque da Copel não é apenas logística. O imóvel pertence ao patrimônio estadual e fica a poucos quilômetros do Palácio Iguaçu, sede do Executivo. A proximidade física acelera reuniões presenciais, troca de documentos sigilosos e alinhamento direto com secretarias-chave. Em transições anteriores, equipes alocadas em prédios distantes perderam agilidade no acesso a sistemas restritos.
Os 120 dias que definem o tom da gestão
O decreto menciona explicitamente “assuntos que precisam de providências nos primeiros 120 dias”. Essa janela costuma concentrar: renegociação de dívidas com a União, definição de secretariado definitivo, envio de projetos prioritários à Assembleia Legislativa e medidas de contenção ou expansão de gastos. Quem chega preparado em 5 de janeiro ganha tempo; quem chega lendo relatórios perde iniciativa.
O que observar nas próximas semanas
A divulgação dos dez nomes indicados por Sergio Moro será o primeiro termômetro do estilo de gestão que ele pretende implantar. Perfis técnicos sugerem continuidade administrativa; perfis políticos indicam negociação de base legislativa desde agora. Outro ponto de atenção: eventuais divergências no acesso a dados sensíveis — se a equipe atual retardar entregas, o decreto prevê mecanismos de cobrança, mas a prática costuma depender de bom relacionamento entre os coordenadores.
Até 5 de janeiro, cada relatório fechado, cada contrato revisado e cada despesa mapeada vira ativo político para o novo governador. O relógio começou a correr.
