Economia

EDF mira leilões de baterias e transmissão no Brasil: o plano agressivo da gigante francesa

CEO da EDF Brasil André Salgado no evento Brazil Wind Power anuncia estratégia para leilões de baterias e transmissão
André Salgado, CEO da EDF no Brasil, detalha plano agressivo para leilões de armazenamento e transmissão em dezembro.

A EDF Power Solutions confirmou presença no primeiro leilão de baterias do setor elétrico brasileiro, marcado para dezembro, e sinalizou apetite renovado por ativos de transmissão e hidrelétricas. A movimentação coloca a francesa no centro da transformação do mercado nacional de energia.

O CEO no Brasil, André Salgado, revelou a estratégia durante o evento Brazil Wind Power. A empresa não quer apenas participar: quer vencer.

Baterias: a aposta imediata para dezembro

O leilão de armazenamento é a prioridade número um no curto prazo. A EDF já desenvolve projetos em várias regiões do país, com suporte tecnológico direto da matriz na França e experiência operacional consolidada no Reino Unido.

A entrada nesse segmento responde à necessidade urgente do Operador Nacional do Sistema (ONS) por flexibilidade. Com a expansão de solar e eólica, o armazenamento deixou de ser opcional para virar requisito de segurança energética.

Transmissão: persistência após duas derrotas

Em março de 2027, a francesa retorna ao certame de linhas de transmissão. A companhia tem hoje apenas um empreendimento no portfólio brasileiro — presença considerada tímida para o porte do grupo.

  • Participou dos dois últimos leilões;
  • Chegou à fase final da disputa, mas não arrematou lotes;
  • Meta declarada: ampliar a carteira de ativos regulados.

O segmento oferece receita previsível, indexada à inflação e baixo risco de demanda — atrativo para quem busca lastro em reais de longo prazo.

Hidrelétricas: de PCHs a usinas reversíveis

Na geração, o foco é água. A EDF já opera duas usinas no Mato Grosso e monitora de perto o calendário de relicitações de grandes concessões que vencem nos próximos anos.

O executivo destacou o interesse especial em hidrelétricas reversíveis (bombeamento). A tecnologia funciona como uma “bateria gigante”: bombeia água para o reservatório superior quando a energia é barata e gera nos horários de pico. O grupo domina essa tecnologia na Europa e vê o Brasil como fronteira natural para replicá-la.

Além disso, a empresa avalia:

  • Construção de novas PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas);
  • Aquisição de ativos operacionais;
  • Parcerias em projetos de grande porte.

Eólico na Bahia: expansão travada por curtailment

Um parque de 140 MW está em construção no estado. A segunda fase, porém, segue indefinida. Dois entraves freiam a decisão final de investimento (FID):

  • Cortes de geração (curtailment): desperdício de energia renovável por falta de escoamento na rede;
  • Condições de funding: custo e prazo do financiamento de longo prazo no mercado local.

Enquanto a infraestrutura de transmissão não acompanha a geração, projetos prontos para construir ficam parados na prancheta.

O que observar daqui para frente

Três datas funcionam como gatilhos para o tamanho da fatia da EDF no Brasil: o leilão de baterias em dezembro, a definição do marco regulatório do armazenamento e o certame de transmissão de março de 2027. Se a empresa converter em contratos a presença técnica que já tem no país, passará de coadjuvante a protagonista em dois dos pilares da transição energética brasileira — flexibilidade e escoamento. O sinal verde para a segunda fase do eólico baiano será o termômetro real da confiança do grupo no ambiente de negócios local.