Um aliado próximo de Donald Trump afirma que o senador Flávio Bolsonaro já está em solo americano, menos de 48 horas após a derrota nas urnas. A operação, batizada de “Alba”, teria sido comandada pelo secretário de Estado Marco Rubio. Mas, oficialmente, ninguém confirma a entrada do parlamentar nos Estados Unidos.
O anúncio partiu de Simón Levy, investidor mexicano e ex-secretário de Turismo, que se descreve como operador do movimento MAGA. A revelação ocorre num momento crítico: os passaportes de Flávio foram cancelados pela Polícia Federal dias antes, por ordem do STF.
O relato que abalou o noticiário político
Por volta das 15h30 desta terça-feira (27), Levy publicou em sua rede social que o senador havia chegado “em segurança” aos EUA. Segundo o empresário, o arquiteto da saída seria o próprio chefe da diplomacia americana, Marco Rubio. “Dos Estados Unidos, livre e seguro, Flávio liderará a oposição contra Lula”, escreveu.
Minutos depois, uma segunda postagem deu nome à ação: Operação Alba. A agência Reuters noticiou a fuga quase simultaneamente, citando fontes não identificadas. Nem o Itamaraty, nem a embaixada americana, nem a assessoria do senador responderam aos pedidos de confirmação até o fechamento desta matéria.
O obstáculo jurídico: passaportes cancelados
A suposta saída esbarra em uma barreira processual concreta. Flávio Bolsonaro era alvo de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entrega dos documentos de viagem. A medida corre em segredo de justiça e faz parte de inquérito por lavagem de dinheiro que também envolve o advogado Willer Tomaz.
Como o parlamentar não cumpriu a ordem no prazo, a Polícia Federal procedeu ao cancelamento administrativo dos passaportes. Em tese, isso impediria a saída regular do país por vias comerciais. A forma como a barreira teria sido superada não foi detalhada por Levy nem pela Reuters.
Quem é Simón Levy e por que sua palavra tem peso?
Levy não é um observador distante. Ele ocupou a Secretaria de Turismo do México na gestão anterior e mantiene trânsito direto com a cúpula republicana americana. Em seu perfil público, ele se define como “aliado próximo” de Trump e servidor do movimento Make America Great Again.
Essa proximidade explica o acesso a informações sensíveis — ou a disposição para vazá-las. Até o momento, a assessoria do senador Flávio Bolsonaro não se manifestou sobre as postagens.
Cenários paralelos: o que mais se sabe
- Reconhecimento da derrota: O PL, partido de Flávio e de Jair Bolsonaro, reconheceu oficialmente a vitória de Lula no segundo turno.
- Investigações mantidas: O STF já sinalizou que os inquéritos contra o senador prosseguem independentemente de sua localização física.
- Silêncio oficial: A ausência de posicionamento do Departamento de Estado ou do Ministério das Relações Exteriores aumenta a névoa sobre a legalidade da entrada.
O que observar nas próximas horas
A principal incógnita agora é processual: como um indivíduo com passaportes cancelados pelo Brasil consegue admissão legal nos EUA? Se a entrada ocorreu por vias diplomáticas ou humanitárias, haverá registro oficial. Se foi irregular, expõe o parlamentar a riscos de deportação imediata.
Para investidores e analistas de risco político, o desenlace desse episódio dirá muito sobre a disposição da nova administração americana em interferir na dinâmica institucional brasileira. A “Operação Alba”, se confirmada, marca o primeiro grande teste de coordenação entre a equipe de Rubio e a oposição de direita no Brasil. O próximo capítulo depende de uma posição oficial de Washington — ou de Brasília.
