O senador Flávio Bolsonaro (PL) descumpriu ordem do ministro Alexandre de Moraes e não entregou seus passaportes à Polícia Federal. Desde então, o paradeiro do parlamentar é incerto e investigações apontam para uma possível saída do país pela fronteira com a Argentina.
A situação se agravou após declaração do irmão, Eduardo Bolsonaro, que dias antes da eleição defendeu publicamente que Flávio deixasse o Brasil caso perdesse o pleito. A fala, dada a um podcast nos EUA, agora ganha contornos de prévia planejada.
O que determinou o STF e por que o senador não obedeceu
Na segunda-feira (26), Moraes ordenou a entrega dos documentos no âmbito do inquérito que apura lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz, amigo próximo de Flávio. A investigação mira empresas de apostas e plataformas de pagamento.
O senador foi incluído no caso após a perícia no celular de Willer revelar e-mails que o cadastram como “usuário master” de conta bancária ligada ao advogado. Flávio tem foro privilegiado, o que mantém o processo no Supremo.
Em vídeo publicado nas redes sociais no mesmo dia da ordem judicial, Flávio afirmou: “Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes”. Horas depois, a PF confirmou o descumprimento. Aliados próximos dizem não ter notícias dele.
Rastro aponta para Puerto Iguazú e avião parado na fronteira
O site argentino Infobae publicou que o senador teria cruzado a fronteira em Puerto Iguazú usando apenas documento de identidade. O plano seria embarcar em voo com destino aos Estados Unidos a partir da Argentina.
Dados do FlightRadar24 mostram que uma aeronave partiu de Buenos Aires e pousou em Puerto Iguazú às 23h45 (horário de Brasília). O registro indica que o avião não decolou desde então. Não há confirmação se Flávio estava a bordo nem se houve troca de aeronave.
O serviço de imigração argentino, contudo, afirma não ter registrado a entrada do senador por nenhum ponto oficial.
- Ordem de Moraes: segunda-feira (26), passaportes à PF
- Declaração de Eduardo: sexta-feira (23), podcast nos EUA
- Voo monitorado: Buenos Aires → Puerto Iguazú, 23h45
- Imigração argentina: sem registro de entrada
Outra frente: dinheiro do filme “Dark Horse” e ligação com Vorcaro
Paralelamente, Flávio é investigado em inquérito que apura se recursos do banqueiro Daniel Vorcaro — preso por fraudes bilionárias — financiariam o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, com desvio de valores para o exterior.
As suspeitas incluem corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Uma das hipóteses é que o dinheiro solicitado por Flávio a Vorcaro tenha sido enviado dos EUA para custear a estadia de Eduardo Bolsonaro, que vive no país desde 2023 após condenação no STF por tentativa de interferir no julgamento do pai.
O que observar nos próximos dias
A PF segue monitorando passos formais e informais. A ausência de registro na imigração argentina abre duas possibilidades: entrada irregular por área não controlada ou permanência ainda em território brasileiro. O silêncio de aliados e a falta de manifestação da defesa do senador aumentam a pressão por respostas.
Se confirmada a saída do país sem autorização judicial, o caso pode escalar para pedido de prisão preventiva e cooperação internacional. O STF já demonstrou rigidez em situações semelhantes. Para o meio político e jurídico, o desfecho desse episódio testará os limites do foro privilegiado frente a ordens descumpridas.
