Economia

O segredo que ninguém conta: bilionário compra Brasil enquanto todos fogem…

Rajiv Jain, bilionário da GQG Partners, compra ações da Petrobras durante queda do Ibovespa
Gestora de US$ 150 bi vê pânico no Brasil como oportunidade de compra estratégica

O maior acionista privado da Petrobras está comprando ações brasileiras no momento em que o mercado entra em pânico. Rajiv Jain, cofundador da GQG Partners, vê a reação à reeleição de Lula como exagerada e afirma que vender Brasil agora seria um erro estratégico. A gestora administra US$ 150 bilhões e tem histórico de acertar apostas contrárias.

Na segunda-feira (26), o real sofreu a maior queda em mais de duas décadas e o Ibovespa recuou 17%, acionando o primeiro circuit breaker desde 2020. O movimento reflete a frustração de investidores que apostavam em vitória de Bolsonaro e esperavam política fiscal mais austera.

O contra-ataque de quem tem US$ 150 bi sob gestão

Jain não se intimida. Em entrevista, declarou que o Brasil permanece “um dos melhores mercados de ações entre os emergentes” para quem adota visão de longo prazo. A GQG Partners mantém o país como maior overweight (aposta acima da média) em seu fundo de mercados emergentes de US$ 18 bilhões.

Os números atuais da posição:

  • 14% do fundo em ações brasileiras (setembro/2024)
  • Quase 10 pontos percentuais acima do peso no índice de referência
  • Redução desde março (era 24%) para financiar compras em semicondutores na Ásia

Mas a convicção permanece: mesmo com a redução, a aposta no Brasil supera qualquer outro emergente na carteira.

O precedente de 2022 que explica a confiança atual

Não é a primeira vez que Jain nada contra a corrente. Em 2022, quando o medo de interferência política na Petrobras fez investidores venderem em massa, a GQG ampliou a posição e tornou-se a maior acionista privada da estatal.

O resultado: retorno superior a 285% em dólares (incluindo dividendos) desde então. A performance superou gigantes de tecnologia como Microsoft, Amazon e Alphabet no mesmo período.

Jain cita o primeiro governo Lula (2003-2010) como evidência histórica: as ações brasileiras subiram em meio a um boom global de commodities, apesar dos receios iniciais do mercado. “Os freios e contrapesos ainda funcionam razoavelmente bem”, resume.

Por que a Petrobras “ainda está barata” na visão do gestor

O argumento central de Jain repousa em três pilares fundamentais que o mercado estaria ignorando no curto prazo:

  • Valuations atrativos comparados a pares globais
  • Lucros sólidos e geração de caixa consistente
  • Dividend yield elevado — atrativo em cenário de juros altos

Além da petroleira, o gestor mantém apreço por bancos e empresas de serviços públicos brasileiros. A tese: a política brasileira “nunca é tão boa quanto as pessoas acham nem tão ruim quanto imaginam — a resposta geralmente está no meio”.

O que observar daqui para frente

A estabilização observada na terça-feira (27), com Ibovespa recuando apenas 0,7% e o real avançando 1,1%, sugere que o pânico inicial pode ter exaurido vendedores forçados. O défict orçamentário segue como variável-chave: reduzi-lo é essencial para baixar o custo de financiamento, hoje em dois dígitos.

Jain admite que a vitória de Lula renova dúvidas sobre a trajetória fiscal, mas vê espaço para reformas favoráveis ao mercado durante o governo. Para o investidor que acompanha de perto, o sinal a monitorar é a execução orçamentária nos primeiros 100 dias — e se a gestora que acertou a Petrobras em 2022 amplia ou reduz a posição brasileira nos próximos relatórios de alocação.