Meio Ambiente

Trump ataca eólica offshore e dinamita acordo de licenciamento no Congresso

Turbinas eólicas offshore no mar, simbolizando projetos Revolution Wind, Maryland Offshore Wind e New England Wind
Imagem de turbinas eólicas offshore ilustra os projetos ameaçados pela revisão judicial do governo Trump.

O governo Trump pediu à Justiça federal a revisão de três grandes parques eólicos offshore — justamente enquanto negociava apoio democrata a um projeto de lei que reformaria o licenciamento de infraestrutura nos EUA. A contradição expõe uma fissura que pode travar 45 gigawatts de capacidade já contratada.

As petições miram o Revolution Wind (Ørsted), o Maryland Offshore Wind (US Wind) e o New England Wind (Avangrid). Juntos, somam bilhões em investimentos e empregos em cadeia nas costas de Rhode Island, Maryland e Massachusetts.

O que mudou nas últimas semanas

Em setembro, a Casa Branca sinalizou que não bloquearia renováveis para viabilizar o Bipartisan American Affordability and Jobs Act. O texto aceleraria aprovações e impediria vetos presidenciais por motivos ideológicos. Democratas relatam ter fechado um “acordo informal” baseado nessa promessa.

Dias após a apresentação do projeto, o Departamento de Justiça protocolou as contestações. Alegam que o governo Biden ignorou impactos sobre vida marinha, pesca e paisagem costeira — argumentos idênticos aos de grupos opositores como Green Oceans e ACK for Whales.

Projetos na mira: cronograma e dinheiro em jogo

  • Revolution Wind (Ørsted): capacidade comercial prevista para fim de 2026; revisão pedida em 9 de outubro.
  • Maryland Offshore Wind (US Wind): ainda não iniciou construção; contestação em 13 de outubro.
  • New England Wind (Avangrid): pré-construção; petição em 20 de outubro.

Cerca de 45 GW de eólica — onshore e offshore — estão paralisados por ações administrativas do governo atual, segundo a American Clean Power Association.

Sinais trocados no mesmo dia

Na quinta-feira (22), a Casa Branca autorizou dois projetos eólicos terrestres pela manhã. À tarde, emitiu proclamação declarando que a energia eólica “representa riscos únicos à segurança nacional” e determinou que o Departamento de Comércio limite importações de turbinas e componentes.

O senador Martin Heinrich, coautor do projeto de licenciamento, classificou os avanços terrestres como “bem-vindos”, mas cobrou: “centenas de projetos parados que eu gostaria de ver avançar”.

A tese da chantagem processual

Advogados e analistas questionam a coincidência dos prazos. O governo pediu prorrogações em setembro — depois apresentou as petições em sequência, coladas à entrega do projeto de lei.

“É altamente improvável que todos os casos tivessem prazos que permitissem petições justamente agora”, afirma Tony Irish, ex-advogado do Departamento do Interior. Jason Grumet, da American Clean Power, resume: o governo precisa respeitar “a substância e o espírito da legislação” se quiser o voto democrata.

O que observar daqui para frente

Três variáveis definirão o desfecho nas próximas semanas: a reação dos democratas no Senado — se mantêm ou retiram apoio ao projeto de licenciamento; a resposta judicial às petições, que pode devolver os processos ao Departamento do Interior e alongar em anos a incerteza; e a implementação prática da restrição a importações de turbinas, que atinge a cadeia de suprimentos global. Para investidores e desenvolvedores, o sinal claro é: o risco regulatório nos EUA voltou a ser variável de modelo, não exceção.