Justiça

RS domina ranking bolsonarista: 7 das 10 cidades que mais votaram no PL

Mapa do Brasil destacando 7 cidades gaúchas no top 10 de votação em Bolsonaro
Rio Grande do Sul concentra 7 das 10 cidades que mais votaram em Bolsonaro no 2º turno.

Sete dos dez municípios com maior porcentagem de votos válidos para Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno ficam no Rio Grande do Sul. O dado revela uma concentração geográfica rara e coloca o estado no centro do mapa eleitoral da direita brasileira.

A lista considera 5.566 cidades com apuração totalizada. O Paraná aparece com duas representantes e Santa Catarina com uma.

A cidade que lidera o país inteiro

Nova Pádua, na Serra Gaúcha, tem 2,3 mil habitantes e entregou 90,56% dos votos válidos ao candidato do PL. Em números absolutos: 1.890 votos contra 197 de Lula (PT).

Dos 2.126 eleitores que compareceram, 2.087 votaram em candidatos. Brancos somaram 14 e nulos, 25. A abstenção ficou em 284 pessoas.

Outras seis gaúchas no top 10

O domínio estadual não para na líder. Confira as posições ocupadas por municípios do RS:

  • 2º lugar: Vespasiano Correa — 87,82%
  • 3º lugar: Monte Belo do Sul — 86,83%
  • 4º lugar: Pinto Bandeira — 86,58%
  • 6º lugar: Arroio do Padre
  • 8º lugar: Nova Bassano
  • 9º lugar: Anta Gorda

Todas são cidades pequenas, majoritariamente rurais, com forte presença de colonização europeia e economia baseada na agricultura familiar e no turismo de vinho.

O recado das urnas no estado

No agregado estadual, Bolsonaro venceu com 57,84% dos votos válidos — 3.874.378 eleitores. Lula recebeu 42,16%, totalizando 2.824.552 votos.

A diferença de 15,68 pontos percentuais supera a média nacional e consolida o RS como o maior colégio eleitoral proporcionalmente favorável ao PL na federação.

O que isso sinaliza para 2026

A concentração de votações acima de 86% em municípios com perfil socioeconômico semelhante não é coincidência. Indica bases eleitorais profundamente alinhadas a pautas conservadoras, resistência a políticas de esquerda e forte identidade cultural.

Para analistas de risco político e estrategistas de campanha, o mapa gaúcho funciona como termômetro: onde a direita vence com 90%, a margem de manobra para o centro é praticamente nula.

O que observar daqui para frente

Monitorar a evolução demográfica nessas cidades — envelhecimento populacional, êxodo rural e chegada de novos investimentos — dirá se esse bloco tende a se expandir, estagnar ou fragmentar. A próxima eleição estadual, em 2026, será o primeiro teste real de fidelidade desse eleitorado.