Justiça

Deputado alvo da PF pela 2ª vez tem patrimônio multiplicado por 7: o que está por trás

Deputado Marcelo Queiroz alvo da Operação Castratio da Polícia Federal com patrimônio multiplicado por 7
Deputado federal Marcelo Queiroz (PSDB-RJ) é alvo da 2ª fase da Operação Castratio, com patrimônio crescendo 665%.

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (27) a segunda fase da Operação Castratio, mirando novamente o deputado federal Marcelo Queiroz (PSDB-RJ). O parlamentar vê seu patrimônio declarado saltar 665% em poucos anos, enquanto contratos de castração animal superam R$ 193 milhões.

Investigadores apuram peculato, corrupção e lavagem de dinheiro. A primeira fase, em maio, já havia apreendido o celular do deputado no Aeroporto Santos Dumont.

O salto patrimonial que acendeu o alerta

Dados da Justiça Eleitoral mostram que os bens declarados por Queiroz cresceram cerca de 665% entre declarações recentes. A evolução passou a ser tratada como indício de enriquecimento ilícito no inquérito.

A PF não detalhou a composição exata do patrimônio, mas cruzou a evolução com a linha do tempo dos contratos investigados. O objetivo: verificar se há correlação direta entre a gestão de recursos públicos e o ganho privado.

Contratos de R$ 200 milhões e uma empresa de R$ 20 mil

O centro da apuração é a Consuvet, criada em julho de 2021 com capital social de R$ 20 mil. Em quatro meses, a firma firmou contratos com a Secretaria de Agricultura do Rio somando mais de R$ 8,3 milhões.

Até 2023, os valores ultrapassaram R$ 193 milhões, segundo decisão judicial da primeira fase. A investigação aponta:

  • Superfaturamento nos serviços de castração
  • Direcionamento de licitações
  • Fraude em processos licitatórios

Queiroz comandou a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento entre 2020 e 2022 — exatamente o período de expansão dos contratos.

Da causa animal ao centro do inquérito

O deputado construiu carreira política com a bandeira da proteção animal. Apresenta-se como idealizador de programas gratuitos de castração e vacinação, além de destinar emendas ao setor.

Na primeira fase, a PF sugeriu que o engajamento na causa pode ter servido como porta de entrada para benefícios financeiros. A investigação busca confirmar se a pauta pública foi instrumentalizada.

Trajetória: vereador, secretário, deputado, candidato a prefeito

Nascido no Rio em 1984, Queiroz é advogado (PUC-Rio), mestre em Economia (Ibmec) e tem pós-graduações em Direito Fiscal e Gestão de Projetos. Passou por:

  • Vereador do Rio (2012)
  • Secretário municipal de Administração (2015-2016)
  • Deputado estadual (2018)
  • Secretário de Meio Ambiente do Rio (gestão Crivella)
  • Secretário de Agricultura do Estado (2020-2022)
  • Deputado federal eleito em 2022
  • Candidato a prefeito do Rio em 2024 (4º lugar, 74.996 votos)
  • Secretário municipal de Administração novamente (2025-2026)

Retomou o mandato federal para disputar a reeleição.

O que observar nos próximos capítulos

A defesa do parlamentar ainda não se manifestou oficialmente. A PF deve analisar o material apreendido na terça-feira e cruzar com dados bancários e fiscais.

Três pontos merecem atenção:

  • Quebra de sigilo bancário e fiscal do deputado e da Consuvet
  • Possível delação de servidores da Secretaria de Agricultura
  • Desdobramentos no Supremo Tribunal Federal, por se tratar de deputado federal

Enquanto o inquérito avança, Queiroz mantém o mandato e a pré-candidatura à reeleição. O cenário eleitoral de 2026 pode ser afetado caso a denúncia seja formalizada antes das convenções partidárias.