Educação

IA no 1º semestre: o segredo por trás de startups que nascem na faculdade

Estudantes desenvolvendo projetos de IA e robótica em laboratório universitário moderno
Alunos do UniAteneu criam soluções reais de inteligência artificial nos novos laboratórios de inovação do campus.

O Centro Universitário Ateneu (UniAteneu) colocou a disciplina de Engenharia de Inteligência Artificial no primeiro semestre de todos os seis cursos de TI. A consequência direta: alunos já entregam projetos reais e fundam startups com atuação internacional antes de concluir a graduação.

Não é promessa de futuro. É o que está acontecendo agora nos laboratórios de Robótica e Inovação inaugurados no campus.

Por que a grade virou de cabeça para baixo

A reformulação atingiu três bacharelados — Engenharia da Computação, Ciência da Computação e Engenharia de Software — e três tecnólogos: Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Redes de Computadores e Gestão da TI.

O coordenador dos cursos, prof. Me. Sandro Costa Mesquita, resume a lógica: “Quando o aluno aprende, logo no primeiro semestre, como uma IA é construída, treinada, avaliada e colocada em produção, ele entende o restante da grade com outros olhos e já consegue entregar valor para o mercado”.

O objetivo declarado é formar gestores de IA: profissionais que sabem o que a tecnologia faz, o que não faz e como integrá-la a processos reais.

Estrutura que sai do papel

Para sustentar a nova matriz, a instituição construiu dois laboratórios de Robótica, dois de Informática e uma sala de Inovação. Nelas rodam disciplinas que até pouco tempo eram eletivas de fim de curso:

  • Machine Learning e Deep Learning
  • Visão Computacional
  • Internet das Coisas (IoT)
  • Computação Quântica
  • Robótica aplicada

A proposta é que o aluno não apenas estude na teoria, mas construa e teste soluções em projetos que simulam demandas de empresas e do setor público.

Do campus para o mercado internacional

Luccas Lima, egresso do tecnólogo em ADS, fundou a Netup — empresa que integra sistemas, IA, dados e automação. A startup tem sede em São Paulo, operação na Flórida (EUA) e esteve com estande no Siará Tech Summit 2026, em Fortaleza, neste mês de outubro.

O caso não é isolado. Ele ilustra o que a coordenação chama de “formação que não espera a formatura”.

IA que pergunta em vez de responder

Outro projeto nascido no ecossistema da UniAteneu é o SophChat. Diferente de assistentes tradicionais, o modelo não entrega respostas prontas: conduz a conversa por perguntas, inspirado no método socrático, para que o usuário descubra a raiz de inseguranças, indecisões ou incômodos difusos.

A lógica comportamental é curada por Wesley Bohry, especialista em DISC e Eneagrama desde 1990 e criador do método DeHu Super Humanos. A equipe técnica une três gerações da casa: o prof. Sandro Mesquita, o ex-aluno Luccas Lima e Rodrigo Mesquita, aluno de Engenharia de Software.

“Não é um chatbot genérico. É um modelo com lógica comportamental própria, treinado para fazer a pergunta certa em vez de dar a resposta mais provável”, explica o coordenador.

O ecossistema que acelera a entrada no mercado

Fortaleza tem concentrado eventos e iniciativas de inovação. A UniAteneu incentiva a presença de alunos e professores nesses espaços como mentores, expositores e participantes. A combinação entre grade atualizada, laboratórios e contato com o ecossistema permite que o aluno chegue ao mercado com repertório para atuar desde cedo.

O Núcleo de Apoio à Carreira (NAC) atua em paralelo, orientando estágios e oportunidades em empresas parceiras.

O que observar daqui para frente

A aposta em IA no primeiro semestre ainda é rara no ensino superior brasileiro. Se o modelo se confirmar escalável, a tendência é que outras instituições antecipem competências de IA para o ingresso dos cursos, encurtando o ciclo entre sala de aula e geração de valor real. Para empregadores e investidores, o sinal é claro: graduandos com portfólio de projetos em produção e experiência em gestão de IA deixam de ser exceção e passam a ser critério de contratação.