Justiça

7 cidades trocam prefeitos no 2º turno: veja quem venceu e o que está em jogo

Urna eletrônica brasileira com fundo de cidades pequenas durante eleições suplementares 2022
Sete municípios elegeram novos prefeitos em votações suplementares realizadas junto ao 2º turno presidencial.

Eleitores de sete municípios foram às urnas neste domingo (25) para escolher novos prefeitos em eleições suplementares realizadas junto ao segundo turno presidencial. O detalhe que muda tudo: em pelo menos uma cidade, o vencedor pode nem assumir.

As disputas foram convocadas pelo TSE após cassações ou indeferimentos de candidaturas nas eleições regulares. Enquanto o país definiu a Presidência, Arroio do Sal, Goiatins, Itaguaí, Macedônia, Martinópolis, Narandiba e Santana do Itararé viveram capítulos à parte — com abstenções que chegaram a 20% e resultados que expõem a fragilidade de certas chapas.

O mapa das vitórias: números que não mentem

No Rio Grande do Sul, Felipe Valim (MDB) levou Arroio do Sal com 62,96% dos votos válidos (4.592 votos), abrindo 26 pontos sobre o adversário. A abstenção de 19% sinaliza desinteresse ou desconfiança do eleitorado local.

Em Goiatins (TO), a margem foi apertada: Max Luz (Solidariedade) venceu com 52,85% contra 47,15% de Dida Filgueiras. Diferença de apenas 417 votos em um colégio de 7.703 válidos.

Já em Itaguaí (RJ), região metropolitana do Rio, Haroldinho Jesus (PDT) atropelou: 77,47% dos votos (58.054). A segunda colocada, Kelaine Goulart (Novo), teve 19% — mas sua candidatura ainda não foi aprovada pela Justiça Eleitoral.

O caso que pode virar tudo de cabeça para baixo

Narandiba (SP) é o ponto de atenção. Claudião Damacena (União) obteve 56,90% (2.135 votos), mas a candidatura está sub judice. Se a Justiça barrar o registro, a cidade entra em limbo jurídico — e uma nova eleição pode ser convocada.

Enquanto isso, no interior paulista:

  • Macedônia: Vado (PSD), 57,54% — vitória consolidada.
  • Martinópolis: Beto Leite (União), 59,09% em disputa de três chapas.

No Paraná, Zé Izac (PT) levou Santana do Itararé com 54,32% em eleição de comparecimento alto: 84,91% dos aptos votaram.

Por que isso importa para quem gere negócios ou investe

Eleições suplementares não são apenas burocracia. Elas indicam instabilidade política local — e instabilidade afeta contratos, licitações, arrecadação e planejamento urbano. Em Itaguaí, por exemplo, a prefeitura comanda orçamento relevante na região metropolitana; a troca de comando pode redirecionar prioridades de infraestrutura e serviços.

Além disso, a abstenção média acima de 15% na maioria das cidades mostra que o eleitor não comprou a narrativa de “normalidade”. Para quem monitora risco político municipal, esse é um termômetro.

O que o TSE explica — e o que não diz

Segundo o tribunal, suplementares ocorrem quando o mais votado na eleição original tem o registro cassado ou indeferido — por abuso de poder econômico/político, entre outros. O que o comunicado não detalha: quantas dessas cassações derivaram de processos que já tramitavam antes do pleito regular, o que levanta dúvidas sobre a tempestividade da Justiça Eleitoral.

O que observar nas próximas semanas

1. Julgamento de Narandiba: se Claudião for impedido, nova eleição — e mais custos públicos.
2. Regularização em Itaguaí: a candidatura da segunda colocada segue pendente; se deferida, abre precedente.
3. Posse e montagem de secretariados: os 30 primeiros dias revelarão alinhamentos partidários e prioridades de gestão.
4. Reação das câmaras municipais: bases de apoio ou oposição definirão a governabilidade real.

Para o empresariado local e investidores com exposição municipal, a leitura não está nos vencedores — está na estabilidade que eles conseguirão entregar. Acompanhe os diários oficiais.