Eleitores de sete municípios foram às urnas neste domingo (25) para escolher novos prefeitos em eleições suplementares realizadas junto ao segundo turno presidencial. O detalhe que muda tudo: em pelo menos uma cidade, o vencedor pode nem assumir.
As disputas foram convocadas pelo TSE após cassações ou indeferimentos de candidaturas nas eleições regulares. Enquanto o país definiu a Presidência, Arroio do Sal, Goiatins, Itaguaí, Macedônia, Martinópolis, Narandiba e Santana do Itararé viveram capítulos à parte — com abstenções que chegaram a 20% e resultados que expõem a fragilidade de certas chapas.
O mapa das vitórias: números que não mentem
No Rio Grande do Sul, Felipe Valim (MDB) levou Arroio do Sal com 62,96% dos votos válidos (4.592 votos), abrindo 26 pontos sobre o adversário. A abstenção de 19% sinaliza desinteresse ou desconfiança do eleitorado local.
Em Goiatins (TO), a margem foi apertada: Max Luz (Solidariedade) venceu com 52,85% contra 47,15% de Dida Filgueiras. Diferença de apenas 417 votos em um colégio de 7.703 válidos.
Já em Itaguaí (RJ), região metropolitana do Rio, Haroldinho Jesus (PDT) atropelou: 77,47% dos votos (58.054). A segunda colocada, Kelaine Goulart (Novo), teve 19% — mas sua candidatura ainda não foi aprovada pela Justiça Eleitoral.
O caso que pode virar tudo de cabeça para baixo
Narandiba (SP) é o ponto de atenção. Claudião Damacena (União) obteve 56,90% (2.135 votos), mas a candidatura está sub judice. Se a Justiça barrar o registro, a cidade entra em limbo jurídico — e uma nova eleição pode ser convocada.
Enquanto isso, no interior paulista:
- Macedônia: Vado (PSD), 57,54% — vitória consolidada.
- Martinópolis: Beto Leite (União), 59,09% em disputa de três chapas.
No Paraná, Zé Izac (PT) levou Santana do Itararé com 54,32% em eleição de comparecimento alto: 84,91% dos aptos votaram.
Por que isso importa para quem gere negócios ou investe
Eleições suplementares não são apenas burocracia. Elas indicam instabilidade política local — e instabilidade afeta contratos, licitações, arrecadação e planejamento urbano. Em Itaguaí, por exemplo, a prefeitura comanda orçamento relevante na região metropolitana; a troca de comando pode redirecionar prioridades de infraestrutura e serviços.
Além disso, a abstenção média acima de 15% na maioria das cidades mostra que o eleitor não comprou a narrativa de “normalidade”. Para quem monitora risco político municipal, esse é um termômetro.
O que o TSE explica — e o que não diz
Segundo o tribunal, suplementares ocorrem quando o mais votado na eleição original tem o registro cassado ou indeferido — por abuso de poder econômico/político, entre outros. O que o comunicado não detalha: quantas dessas cassações derivaram de processos que já tramitavam antes do pleito regular, o que levanta dúvidas sobre a tempestividade da Justiça Eleitoral.
O que observar nas próximas semanas
1. Julgamento de Narandiba: se Claudião for impedido, nova eleição — e mais custos públicos.
2. Regularização em Itaguaí: a candidatura da segunda colocada segue pendente; se deferida, abre precedente.
3. Posse e montagem de secretariados: os 30 primeiros dias revelarão alinhamentos partidários e prioridades de gestão.
4. Reação das câmaras municipais: bases de apoio ou oposição definirão a governabilidade real.
Para o empresariado local e investidores com exposição municipal, a leitura não está nos vencedores — está na estabilidade que eles conseguirão entregar. Acompanhe os diários oficiais.
