Lula (PT) capturou 55 mil votos a mais que Flávio Bolsonaro (PL) na transição do primeiro para o segundo turno nas regiões de Sorocaba e Jundiaí. O petista somou 132 mil novos apoios contra 77 mil do adversário, segundo dados do TSE. Mesmo com a aceleração, o candidato do PL fechou a disputa com quase 300 mil votos de frente no total.
O mapa da migração eleitoral no interior paulista
O fenômeno não foi uniforme. Em Sorocaba, maior colégio eleitoral da região, o crescimento do PT chegou a quase oito pontos percentuais, saltando de 32,86% para 40,62%. O postulante do PL também subiu — de 56,53% para 59,38% —, mas em ritmo três vezes menor.
Jundiaí repetiu o padrão. Lula saiu de 30,40% para 38,31%, mesmo ganho de oito pontos. O lado oposto avançou quatro pontos, indo de 57,93% para 61,69%. A consistência do percentual de expansão petista nas duas cidades sugere movimento coordenado de eleitores que não compareceram ou votaram em branco/nulo na etapa inicial.
Por que a virada não aconteceu
Apesar da taxa de conversão superior, a base de partida determinou o desfecho. No agregado das duas regiões, o PL contou com cerca de 860 mil sufrágios totais, enquanto o PT atingiu 563 mil. A diferença de quase 300 mil votos herdada do primeiro turno funcionou como uma almofada intransponível, mesmo com a desaceleração do crescimento conservador.
- Sorocaba: 246 mil (PL) vs 168 mil (PT) no 2º turno.
- Jundiaí: 162 mil (PL) vs 100 mil (PT) no 2º turno.
- Variação PT: +8 p.p. em ambas as cidades.
- Variação PL: +3 p.p. (Sorocaba) e +4 p.p. (Jundiaí).
O eleitor que apareceu só no fim
O saldo líquido de 132 mil votos para Lula nas duas regiões indica comparecimento tardio ou mudança de opção relevante. Para analistas de risco político, esse contingente representa uma variável sensível: eleitores mobilizáveis em curto prazo, mas que não garantem fidelidade partidária automática. O fato de o crescimento ter sido idêntico em praças com perfis econômicos distintos — Sorocaba mais industrial, Jundiaí mais logística e serviços — reforça a tese de onda regional, não local.
O que observar daqui para frente
A diferença entre a velocidade de crescimento e o resultado final desenha um cenário de polarização assimétrica. O eleitorado de centro-direita mostrou teto alto e floor alto; o de centro-esquerda, teto móvel e floor baixo. Em 2024, a disputa municipal testará se a estrutura de cabos eleitorais do PL consegue manter a máquina ligada sem a tração de uma eleição nacional, ou se a capacidade de expansão do PT em segundo turno se traduz em vitórias majoritárias locais. O termômetro será a taxa de abstenção nas próximas urnas: se cair, o jogo vira de novo.
