Eleitores de três municípios paulistas foram às urnas no domingo (25) para escolher novos prefeitos, mas em uma das cidades o resultado pode não valer nada. A eleição suplementar, realizada junto ao segundo turno presidencial, expõe um cenário de instabilidade política que afeta diretamente a gestão pública local.
Os pleitos em Macedônia, Martinópolis e Narandiba foram convocados após os prefeitos eleitos em 2024 terem os mandatos cassados pela Justiça Eleitoral. O que parecia uma definição administrativa rotineira esconde um detalhe que pode prolongar a incerteza por meses.
Vitórias claras em duas cidades
Em Macedônia, Edvaldo Fechio (PSD) conquistou 57,54% dos votos válidos — 1.835 no total — derrotando Adilson Luiz Helena (União), que ficou com 42,46%. A diferença de mais de 15 pontos percentuais não deixa margem para contestação. Brancos e nulos somaram 164 votos, índice dentro da normalidade para o porte do município.
Martinópolis apresentou disputa mais fragmentada, mas com vencedor consolidado. Humberto Emmanuel Schmidt Oliveira (União) obteve 59,09% dos válidos (8.247 votos), contra 29,85% de Marcos Xavier De Almeida Passos Junior (PSDB) e 11,06% de Gabriel Valões Santos (MDB). A vantagem de quase 30 pontos sobre o segundo colocado assegura governabilidade imediata.
O nó jurídico que trava Narandiba
O cenário muda radicalmente em Narandiba. Claudio Jose Damacena (União) recebeu 56,9% dos votos válidos (2.135), superando Pedro de Barros (PRD), que fez 43,10% (1.617 votos). Até aí, tudo normal. O problema: a candidatura de Damacena está anulada sub judice.
Na prática, isso significa que os votos a ele destinados não podem ser computados para efeito de proclamação do eleito. Enquanto a ação tramita, não há prefeito diplomado. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) já sinalizou: se a anulação se confirmar, nova eleição será convocada.
- Votos anulados: 2.135 (56,9% do total válido)
- Segundo colocado: Pedro de Barros (PRD) — 1.617 votos
- Status: Aguarda julgamento definitivo
- Cenário provável: Nova eleição suplementar em 2025
Por que isso importa para quem investe ou empreende na região
A instabilidade no comando municipal não é apenas um detalhe burocrático. Prefeitos respondem por orçamentos que, somados, movimentam dezenas de milhões de reais anuais em obras, saúde, educação e incentivos fiscais. Sem prefeito diplomado, a gestão fica nas mãos de presidentes de Câmara ou interventores — figuras sem legitimidade eleitoral para decisões de longo prazo.
Em Narandiba, a incerteza pode travar licitações, suspender convênios estaduais e federais e adiar projetos de infraestrutura. Empresas que dependem de alvarás, licenças ambientais ou incentivos locais ficam em compasso de espera. O mesmo risco, ainda que menor, paira sobre Macedônia e Martinópolis até a diplomação dos eleitos, prevista para dezembro.
O que observar nas próximas semanas
O calendário eleitoral prevê diplomação até 19 de dezembro. Em Narandiba, o julgamento do recurso de Damacena no TRE-SP — e, se necessário, no TSE — ditará o ritmo. Se a anulação for mantida, o tribunal deve marcar nova eleição para o primeiro semestre de 2025.
Enquanto isso, a Câmara Municipal assume interinamente. Para empresários e investidores, a recomendação prática é monitorar o andamento do processo nº 0600012-XX.2026.6.26.0000 (consulta pública no site do TRE-SP) e manter diálogo com a procuradoria do município. Decisões de expansão, contratação ou investimento em ativos locais devem incorporar esse risco de vácuo administrativo por pelo menos mais seis meses.
A lição que fica: em ano eleitoral, o segundo turno presidencial não foi o único jogo decisivo nas urnas paulistas. Em pelo menos uma cidade, a partida ainda não acabou — e pode entrar na prorrogação.
