A Polícia Federal abriu inquérito para apurar se a redução de frotas de ônibus no segundo turno das eleições 2026 impediu eleitores de votar. A investigação principal corre em Sergipe, mas alcança ocorrências em São Paulo, Bahia, Alagoas e Piauí.
O diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado, Dennis Cali, confirmou diligências em andamento e oitivas já realizadas. O artigo 297 do Código Eleitoral prevê pena de seis meses de prisão para quem “impedir ou embaraçar o exercício do sufrágio”.
Como a falta de ônibus virou caso de polícia
Relatos de frota reduzida em múltiplas capitais e cidades do interior chegaram aos tribunais regionais eleitorais ainda na manhã de domingo (25). A campanha do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou pedido de prorrogação do horário de votação.
O Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral acataram a solicitação. As urnas ficaram abertas até as 19h — duas horas além do horário padrão — nos locais afetados.
Números da operação até o fechamento das urnas
Até o início da noite de domingo, a PF contabilizou:
- 3 inquéritos policiais instaurados
- 44 termos circunstanciados lavrados
- 56 pessoas conduzidas a delegacias
A maior parte das ocorrências não envolve diretamente o transporte. Os crimes mais registrados foram violação do sigilo do voto, propaganda irregular e desobediência eleitoral.
O que está no radar dos investigadores
A apuração foca em dois eixos: a motivação da redução de frota — se foi decisão administrativa, falha operacional ou ato deliberado — e o impacto real no comparecimento às urnas. Cruzamento de dados de bilhetagem eletrônica com seções de votação de baixa participação está em curso.
Ministério Público Eleitoral e polícias civis atuam em parceria com a PF. A OEA (Organização dos Estados Americanos) também acompanha as denúncias.
O que observar nas próximas semanas
O desfecho dos inquéritos pode definir precedentes para futuras eleições: se a omissão no transporte público for tipificada como crime eleitoral, prefeituras e concessionárias terão obrigação jurídica clara de manter frota plena nos dias de votação. Para o eleitor, fica o alerta — denúncias de dificuldade de acesso à urna devem ser registradas em tempo real nos canais do TRE e da PF.
