Gabriel Bortoleto transformou uma punição pesada no grid em sua melhor exibição do ano nos Estados Unidos. Largando do 21º posto após a troca obrigatória da unidade de potência, o piloto da Audi cruzou a linha de chegada em 13º após realizar sete ultrapassagens durante a prova. O resultado quebrou uma sequência frustrante de deficiência mecânica que vinha travando o brasileiro desde Singapura.
O fim do martírio que travava o brasileiro
Desde a etapa de Marina Bay, o carro #7 carregava um motor deficitário que limitava qualquer ambição em retas e zonas de DRS. A troca em Austin não foi estratégica — foi obrigatória —, mas o efeito colateral surpreendeu até o próprio piloto. “Finalmente estamos de volta com um motor que funciona bem. De volta ao que a gente tinha praticamente durante o ano todo”, desabafou Bortoleto ao final da corrida.
A sensação de alívio era visível. Em Singapura, a falta de potência o tornava presa fácil. Em Austin, com a especificação nova, ele passou a ser o caçador no meio do pelotão.
Números que mostram a diferença real de performance
Os dados da corrida expõem a magnitude da evolução mecânica. Antes da segunda janela de pit stops, Bortoleto estava apenas 10 segundos atrás de Nico Hulkenberg — seu companheiro de equipe que largou dez posições à frente, em 11º no grid, e terminou a prova exatamente nessa colocação.
- Posição de largada: 21º (último entre os carros que largaram)
- Posição de chegada: 13º
- Ultrapassagens na pista: 7
- Diferença para o companheiro (antes do 2º stint): ~10 segundos
A equipe ainda tentou um azarão estratégico: alongar o primeiro stint apostando em um Safety Car que nunca veio. A aposta falhou, forçando uma parada extra, mas o ritmo forte com pneus gastos provou que o chassi tem competitividade quando o motor colabora.
México surge como novo teste de fogo imediato
O calendário não dá trégua. O GP da Cidade do México acontece já no próximo final de semana e, no papel, é um circuito hostil para a Audi. A combinação da longa reta dos boxes com a altitude de 2.200 metros costuma expor fragilidades de potência e resfriamento.
Bortoleto, porém, recusa o pessimismo. Ele aponta o desempenho sólido da equipe em Spa-Francorchamps e Monza — duas pistas de alta velocidade e sensibilidade aerodinâmica — como prova de que o pacote pode render. “Não vou descartar um bom resultado. Talvez dê para pegar um vácuo na classificação ou algo assim”, projetou o novato.
O que observar daqui para frente
As cinco etapas finais funcionam como laboratório para 2025. A confiabilidade recuperada da unidade de potência permite que Bortoleto explore o limite real do carro em classificação — algo impossível nas últimas corridas com o motor “velho”.
Se a Audi confirmar em México e São Paulo o ritmo mostrado em Austin sem a penalidade de grid, o brasileiro entra na briga direta por pontos consistentes. O foco agora muda da sobrevivência mecânica para a otimização de voltas rápidas no sábado. É aí que a temporada dele realmente começa.
