Justiça

O que o ato na Barra e a motocarreata em BH revelam sobre o xadrez eleitoral às vésperas do 2º turno

Flávio Bolsonaro discursa em palanque na orla da Barra da Tijuca, Rio, véspera do 2º turno
Ato de campanha na Barra da Tijuca reúne apoiadores às vésperas do segundo turno das eleições.

Flávio Bolsonaro (PL) concentrou apoiadores em dois palanques estratégicos neste sábado (24), véspera do segundo turno: a orla da Barra da Tijuca, no Rio, e a Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. A mobilização simultânea nos dois maiores colégios eleitorais do Sudeste sinaliza onde a campanha aposta fichas nas horas finais.

No Rio, a concentração começou às 14h e, por volta das 14h30, ocupava a Praça do Ó e as pistas da orla ao longo de um quarteirão. Em Minas, o senador subiu em trio elétrico por volta das 11h40 e percorreu a Avenida Brasil até o centro da capital mineira.

O tabuleiro mineiro e o peso do eleitorado evangélico

Belo Horizonte recebeu o reforço de dois nomes que explicam a geografia do apoio: o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), o mais votado do país em 2022, e o governador recém-eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos). A presença dos dois no mesmo palanque não é decorativa — ambos operam bases evangélicas e conservadoras que decidiram a eleição estadual em primeiro turno.

Minas Gerais concentra o segundo maior eleitorado do país, com 16,3 milhões de aptos a votar. Em 2022, a diferença entre os dois projetos nacionais no estado foi de pouco mais de 2 pontos percentuais. Qualquer variação de 1% equivale a cerca de 160 mil votos.

Rio de Janeiro: o simbolismo da orla e o cálculo da abstenção

A escolha da Barra da Tijuca — bairro de classe média alta, bolsonarista histórico — tem duplo propósito: garantir imagem de multidão para a televisão e pressionar o eleitorado da Zona Sul e da Zona Oeste a comparecer. No primeiro turno, a abstenção no Rio superou 21%, acima da média nacional.

Organizadores evitam divulgar estimativas oficiais, mas a ocupação de um quarteirão inteiro da orla, somada à Praça do Ó, sugere público na casa das dezenas de milhares. Em 2018, atos semelhantes no mesmo endereço reuniram entre 30 mil e 50 mil pessoas, segundo PM e organização.

O que os dois atos têm em comum — e o que diverge

  • Horário: BH pela manhã (11h40), Rio à tarde (14h) — cronograma desenhado para ocupar telejornais do almoço e da tarde.
  • Formato: motocarreata em BH (mobilização de base motorizada); concentração fixa no Rio (imagem estática para TV).
  • Recado: em Minas, foco na máquina estadual (governador + deputado federal); no Rio, foco na força do clã Bolsonaro no berço político da família.

O que observar nas próximas 24 horas

O fechamento de campanha costuma ditar o tom do dia da votação. Três sinais merecem atenção: (1) se a abstenção cai nos redutos onde houve atos hoje; (2) se há vazamento de pesquisas de boca de urna nas redes bolsonaristas ainda na noite de sábado; (3) como o TSE e o TRE-RJ/MG reagem a eventuais irregularidades de transporte de eleitores — prática coibida, mas recorrente em vésperas de segundo turno.

Para quem acompanha o risco político como variável de mercado, o dado concreto é este: a campanha escolheu gastar energia e logística nos dois estados onde a margem foi mais apertada no primeiro turno. O resultado de domingo dirá se a aposta foi eficiente ou tardia.