Justiça

Eleições 2024: o que muda nas ruas com o novo horário de carreatas e caminhadas

Carreata noturna de campanha eleitoral 2024 com carros adesivados e apoiadores nas ruas iluminadas
Nova regra do TSE permite carreatas e caminhadas até 22h, estendendo mobilização nas ruas.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou que atos de campanha nas ruas — carreatas, caminhadas e passeatas — podem ocorrer até as 22h. A regra vale para todo o território nacional e já está em vigor para o pleito municipal de outubro.

Para candidatos e equipes de marketing político, a janela extra de duas horas em relação ao horário comercial tradicional muda a logística de mobilização. Mas o impacto não para nos comitês: comércio local, segurança pública e trânsito urbano precisam se reorganizar.

O que a resolução prevê na prática

A norma está na Resolução TSE nº 23.610/2019, atualizada para o calendário 2024. O texto mantém a proibição de comícios após meia-noite, mas estende explicitamente a tolerância para atos de “deslocamento coletivo” até as 22h. O descumprimento gera multa de R$ 5 mil a R$ 25 mil, além de possível cassação do registro se houver reincidência.

Diferente de eleições anteriores, não há mais distinção entre capitais e municípios do interior. A padronização busca evitar decisões liminares contraditórias entre Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), que em 2020 geraram insegurança jurídica nas últimas semanas de campanha.

Impacto direto no varejo e nos serviços

Lojistas de centros comerciais relatam queda de até 30% no fluxo noturno durante carreatas de grande porte, segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) na eleição passada. Com o horário estendido, a tendência é que o pico de congestionamento coincida com o fechamento de estabelecimentos que operam até as 20h ou 21h.

  • Restaurantes e bares: perdem mesas na calçada quando o ato passa pela frente
  • Delivery: rotas de motoboys ficam imprevisíveis entre 19h e 22h
  • Estacionamentos: ocupação sobe 40% nos arredores de pontos de concentração

Mas o efeito mais relevante aparece em outro setor.

Logística urbana e transporte público

Prefeituras de pelo menos 12 capitais já publicaram decretos complementares ajustando itinerários de ônibus e criando corredores exclusivos para atos de campanha nos fins de semana. Em São Paulo, a SPTrans estima que 1,2 mil viagens diárias sofrerão alteração de rota ou horário entre agosto e outubro.

Para empresas com frota própria ou dependentes de logística just-in-time, a recomendação das associações de transportadores é mapear os calendários oficiais de atos — divulgados pelos TREs com 48h de antecedência — e reprogramar entregas noturnas.

Segurança: o custo invisível

Polícias Militares estaduais ampliam efetivo em 15% a 20% nos dias de atos autorizados após as 20h. O custo adicional é absorvido pelos orçamentos estaduais, mas reflete em menor disponibilidade para policiamento ostensivo em bairros residenciais no mesmo horário.

Dados da Secretaria Nacional de Segurança Pública mostram que ocorrências de furto a pedestres aumentam 18% nas imediações de concentrações políticas noturnas, puxadas pela distração do público e pelo adensamento de pessoas.

O que observar daqui para frente

O calendário eleitoral prevê que a propaganda de rua se intensifica a partir de 16 de agosto. Até lá, TREs devem publicar orientações sobre uso de equipamentos de som (limite de 80 decibéis a 7 metros), proibição de trios elétricos em vias estreitas e regras para distribuição de material impresso durante o deslocamento.

Para quem gere negócios ou investe em imóveis comerciais nas rotas tradicionais de campanha, o próximo mês é decisivo: mapear os circuitos prováveis, negociar cláusulas de força maior em contratos de aluguel e ajustar escalas de turnos noturnos pode ser a diferença entre prejuízo e apenas inconveniência passageira.