Economia

Combustíveis: nova tabela de preços muda a conta em novembro; veja o impacto

Bomba de combustível exibindo preços atualizados em posto de gasolina
Novos preços médios de combustíveis entram em vigor em 1º de novembro conforme tabela do Confaz.

O Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) publicou nesta sexta-feira (23) a atualização dos preços médios ponderados ao consumidor final (PMPF) dos combustíveis. Os valores passam a valer em 1º de novembro e servem de base para o cálculo do ICMS em todo o país. A mudança atinge diretamente a margem de postos, distribuidoras e, no fim da cadeia, o bolso de quem abastece.

O que muda na prática a partir de 1º de novembro

A tabela revisada reflete a média de preços praticados nas bombas nas últimas semanas. Quando o PMPF sobe, a base de cálculo do ICMS aumenta — e o imposto embutido no litro também. O movimento inverso ocorre quando a média cai. Não há alíquota nova; o que muda é o piso sobre o qual o percentual estadual incide.

Para o empresário do varejo, a regra é clara: o custo da mercadoria vendida (CMV) do combustível acompanha a tabela. Postos que mantêm estoques comprados a preços antigos ganham fôlego temporário. Quem precisa repor tanque logo após a virada do mês já sente o impacto no fluxo de caixa.

Principais variações por produto

  • Gasolina comum: alta média de 2,3% na base de cálculo nacional
  • Etanol hidratado: redução de 1,8% na média ponderada
  • Diesel S10: elevação de 3,1% no PMPF
  • GNV: estabilidade na maioria das unidades da federação

Os percentuais acima são médias nacionais. Cada estado publica seu próprio decreto interno ajustando o valor final — o que pode ampliar ou suavizar o efeito nas bombas. A diferença entre o PMPF nacional e o estadual chega a 12% em alguns casos.

Por que o diesel pesa mais no caixa das empresas

O diesel responde por cerca de 45% do consumo de combustíveis no Brasil e é o insumo central do transporte de cargas. Um aumento de 3% na base de cálculo do ICMS equivale, na prática, a um acréscimo de R$ 0,12 a R$ 0,18 por litro no custo final, dependendo da alíquota estadual (que varia de 12% a 18%).

Para uma frota de 50 caminhões rodando 8.000 km/mês com consumo médio de 2,5 km/l, a diferença mensal supera R$ 12 mil. O repasse ao frete costuma ocorrer em 30 a 60 dias, pressionando inflação de serviços e preços de mercadorias no varejo.

Etanol em queda: janela de oportunidade?

A redução de 1,8% no PMPF do etanol hidratado abre espaço para postos recomporem margem ou ganharem competitividade frente à gasolina. A paridade de preço nas bombas — relação entre litro de etanol e litro de gasolina — melhora em favor do biocombustível em pelo menos 14 estados.

Historicamente, quando a paridade fica abaixo de 70%, a demanda por etanol acelera. Dados da ANP mostram que cada ponto percentual de queda na paridade eleva as vendas de etanol em aproximadamente 0,4% no mês seguinte. Vale monitorar os números de novembro.

O que observar daqui para frente

Três variáveis definem o cenário até a próxima revisão, prevista para maio de 2027: cotação internacional do petróleo, câmbio e política de preços da Petrobras. A estatal já sinalizou que manterá a paridade de importação como referência, o que transfere volatilidade externa para a tabela do Confaz.

Empresários do setor devem acompanhar os decretos estaduais nas próximas duas semanas — é neles que o PMPF nacional vira preço real de bomba. Para investidores, a exposição a distribuidoras com alta participação no diesel merece atenção redobrada: o repasse de ICMS não é imediato e comprime margens no curto prazo.