Justiça

Recém-nascido abandonado em lixo passa por cirurgia no tórax e segue grave na UTI

Recém-nascido abandonado em lixo internado em UTI neonatal após cirurgia no tórax
Bebê resgatado de córrego em Cosmópolis segue grave na UTI da Unicamp após cirurgia torácica.

Um bebê recém-nascido encontrado em meio a lixo às margens de um córrego em Cosmópolis (SP) passou por cirurgia no tórax e permanece internado em estado grave na UTI Neonatal da Unicamp, em Campinas. A Polícia Civil confirmou a informação na tarde desta sexta-feira (23) e informou que, apesar da gravidade, o quadro está estabilizado.

Como o resgate aconteceu

O menino foi localizado por volta da meia-noite de terça-feira (20) pelo pedreiro Daniel Pereira de Lima. Vizinhos ouviram um choro e acharam que era miado de gato. Ao se aproximar com lanterna, Daniel encontrou a criança nua, ainda com o cordão umbilical, se mexendo em uma viela da Rua Guilhermina Kovaleski, no bairro Parque Dona Esther.

O bebê apresentava um corte profundo na região do peito e da barriga. Médicos estimam que ele tivesse nascido cerca de uma hora antes de ser abandonado. O pedreiro o agasalhou com uma blusa de frio e acionou a Polícia Militar.

Investigação em andamento

A Polícia Civil trata o caso como tentativa de homicídio. Até o momento, nenhum suspeito foi preso ou identificado. As investigações incluem:

  • Consulta a unidades de saúde e postos de pré-natal da região
  • Apuração de duas gestantes consideradas suspeitas — ambas descartadas
  • Depoimento de testemunha que viu uma mulher descer de um Volkswagen Gol branco, dirigido por um homem, e entrar na viela próxima ao local

Próximos passos

A criança foi estabilizada no hospital municipal de Cosmópolis antes da transferência para Campinas. A polícia não detalhou o tipo de cirurgia realizada no tórax. O inquérito segue aberto para identificar os pais e esclarecer a dinâmica dos ferimentos — se foram causados no parto ou intencionalmente após o nascimento.

O caso reacende o debate sobre a Lei da Entrega Legal, que permite a gestante entregar o bebê para adoção de forma sigilosa e segura em qualquer unidade de saúde ou conselho tutelar, sem risco de responder criminalmente.