Pela primeira vez desde o início da série histórica, o contingente de brasileiros otimistas com o país ultrapassou o dos pessimistas. Levantamento Datafolha divulgado nesta sexta-feira (23) crava 43% de otimismo frente a 36% de pessimismo, desenhando um cenário de estabilidade às vésperas da eleição.
O empate técnico com a pesquisa de setembro esconde uma virada simbólica relevante. Mas o avanço do grupo dos “hesitantes” — agora 22% — sugere que o eleitorado ainda não fechou a conta sobre o futuro próximo.
O retrato numérico do momento
Os dados mostram uma foto quase idêntica à de dois meses atrás. Os 43% de otimistas repetem o pico histórico registrado em setembro. O pessimismo recuou um ponto, indo a 36%, enquanto a fatia dos que não sabem ou preferem não opinar subiu de 20% para 22%.
Em números absolutos, a diferença de sete pontos percentuais entre otimistas e pessimistas fica fora da margem de erro de dois pontos. Isso consolida a vantagem do sentimento positivo, ainda que a cautela continue relevante.
- Otimistas: 43% (estável)
- Pessimistas: 36% (queda de 1 p.p.)
- Hesitantes: 22% (alta de 2 p.p.)
Um marco na série histórica
Até esta rodada, as curvas de otimismo e pessimismo corriam paralelas ou se invertiam em favor do medo. A inédita liderança do otimismo coincide com o período eleitoral, momento em que o discurso de mudança costuma inflar expectativas.
O dado ganha peso porque não houve oscilação brusca. A manutenção do teto histórico por duas rodadas consecutivas indica uma consolidação, e não um ruído estatístico passageiro.
O crescimento dos “incertos” e o que ele sinaliza
Mas o efeito mais relevante aparece na franja dos indecisos. O salto de dois pontos nos hesitantes — o dobro da variação dos outros grupos — aponta para um eleitor que observa, espera e evita apostas definitivas.
Esse movimento costuma anteceder definições de voto de última hora. Quem migrou para a hesitação pode ter saído tanto do campo otimista quanto do pessimista, funcionando como uma zona de amortecimento volátil.
Ficha técnica: como foi feito o levantamento
O instituto ouviu 2.154 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 20 e 22 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O registro no TSE é BR-09709/2026.
O que observar daqui para frente
A estabilidade do otimismo em patamar recorde reduz a chance de choques de humor bruscos até o pleito. Contudo, o avanço dos hesitantes transforma esse grupo no fiel da balança: qualquer fato novo — debate, pesquisa de intenção de voto ou fato econômico — tem potencial para deslocar essa massa de 22% para um dos lados. Para quem toma decisão de negócio ou investimento, o sinal é de janela de previsibilidade curta, mas com viés de alta no sentimento.
