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O segredo para destravar o petróleo venezuelano: por que empresários apostam em Flávio Bolsonaro

Petróleo venezuelano e bandeiras Brasil-EUA: Flávio Bolsonaro como ponte política para investimentos
Reservas venezuelanas de 20% do petróleo mundial dependem de aval dos EUA, onde Flávio Bolsonaro pode influenciar.

Três grandes empresas brasileiras já operam no setor de óleo e gás da Venezuela, mas todas dependem de um único aval: o “ok” do Departamento de Estado dos EUA. A chave para acelerar essa autorização, segundo fontes do mercado, pode estar na política doméstica brasileira.

O que está em jogo são reservas que representam 20% do petróleo mundial e uma produção atual de 1,2 milhão de barris por dia — bem abaixo dos 3 milhões das décadas de 1960 e 1970.

O novo manual de entrada na Venezuela

Desde janeiro, o caminho para investir no país caribenho ganhou uma etapa obrigatória: a aprovação direta da equipe de Marco Rubio, secretário de Estado americano. Na prática, os EUA exercem tutela sobre o regime de Delcy Rodríguez e controlam quem acessa os campos da PDVSA.

Até agora, três grupos brasileiros conseguiram navegar por esse crivo:

  • Holding Alvorada: opera três campos na faixa do Orinoco desde 2023 e anunciou expansão em abril
  • Globe (J&F): adquiriu quase 50% da Petrororaima, joint venture com a PDVSA, via subsidiária Fluxos
  • Eneva: assinou memorando com a Halliburton para identificar áreas, mas aguarda liberação de postos

Por que a família Bolsonaro mudou a equação

Empresários e consultores ouvidos sob reserva afirmam que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência aceleraria as autorizações americanas. O motivo é a proximidade histórica do senador — e de todo o clã Bolsonaro — com Donald Trump.

A avaliação unânime entre os interlocutores é que a diplomacia brasileira atual, sob o governo Lula, tem poder de barganha quase nulo para abrir portas em Caracas. Dois fatores explicam o isolamento:

  • O não reconhecimento da vitória de Nicolás Maduro nas eleições de 2024
  • A distância política entre o Planalto e a gestão Trump, que de fato aprova ou veta projetos

O “ok do Rubio” e a limpeza dos contratos

A americana Chevron, a espanhola Repsol e a italiana Eni ainda dominam a exploração estrangeira, mas o cenário muda rápido. Os EUA fecharam acordo para explorar 17 campos por cem anos em parceria com Alejandro Betancourt, empresário investigado por corrupção internacional.

Uma revisão generalizada dos CPPs (Contratos de Participação Produtiva) está em curso. O objetivo declarado: expulsar da lista de parceiros anyone com vínculos ao regime pré-intervenção americana, agentes de Cuba e Irã, ou nomes que causem “ojeriza” a Washington. Em resumo: é preciso ser amigo da Casa Branca.

A gestão dessa transição ocorre literalmente dentro do edifício da PDVSA, liderada pelo encarregado de negócios John Barrett e pela ministra venezuelana de petróleo, Paula Henao.

Além do petróleo: a infraestrutura que ninguém comenta

O interesse brasileiro não para nas reservas. Tomás Alejandro Guzmán, à frente do Lide Venezuela (grupo de João Doria), relata procura crescente de setores orbitais:

  • Construção civil e reativação de pistas aéreas
  • Formação de mão de obra especializada
  • Impulsionamento agrícola para abastecer operações
  • Serviços de relocation para expatriação de executivos

Uma refinaria do Norte do Brasil já procurou o Lide para prospectar oportunidades. O movimento sinaliza que a aposta é na reconstrução de cadeias produtivas inteiras, não apenas na extração.

O cenário político que ainda não fechou

Uma transição política lenta está em andamento. Líderes chavistas dialogam com a oposição representada por Dinorah Figuera, ex-presidente da Assembleia Nacional. Centenas de presos políticos foram libertados e novos juízes são eleitos para compor um Supremo remodelado.

Nos bastidores, fala-se em eleições presidenciais no fim de 2028. Oficialmente, tanto Trump quanto Delcy Rodríguez afirmam que o país “ainda não está pronto”. Enquanto isso, o petróleo segue fluindo — e as regras do jogo continuam sendo ditadas em Washington.

O que observar daqui para frente

A Alvorada, em nota, resumiu o dilema: “a continuidade do atual governo tende a manter o padrão atual da relação bilateral, enquanto uma mudança tende a aproximar o Brasil da agenda americana para a região”. Para quem tem capital alocado ou planeja entrar, a variável decisiva não está em Caracas, nem em Brasília — está na Casa Branca. Acompanhar a dinâmica entre Marco Rubio e o futuro ocupante do Planalto pode valer mais do que qualquer estudo geológico.