Economia

Samarco atinge maior volume em 6 anos: o número que investidores ignoram

Complexo industrial da Samarco em operação com equipamentos de mineração de minério de ferro
Samarco registra maior produção trimestral em seis anos com 4,3 milhões de toneladas

A Samarco acaba de registrar o melhor trimestre desde o reinício das atividades em 2020. Foram 4,3 milhões de toneladas produzidas entre julho e setembro, alta de 10% frente ao trimestre anterior. Mas o volume total esconde uma divergência entre produção e vendas que merece atenção.

O salto operacional por trás dos números

A marca de 4,3 milhões de toneladas no terceiro trimestre representa um avanço de 4% na comparação anual. No acumulado dos nove primeiros meses, a mineradora somou 12 milhões de toneladas, crescimento de 7% sobre 2025 e o maior patamar para o período desde a retomada.

Segundo a companhia, o desempenho reflete a manutenção de níveis elevados de operação ao longo de todo o ano. A estabilidade operacional tem sido a principal variável para sair da sombra do rompimento da barragem de Fundão, em 2015.

Vendas desaceleram enquanto estoques crescem

Nem tudo seguiu o ritmo da produção. As vendas de pelotas e finos ficaram em 3,9 milhões de toneladas no trimestre, estáveis frente ao segundo trimestre, mas com queda de 5% na comparação anual.

No ano, o comercializado atingiu 11 milhões de toneladas, alta modesta de 1%. A diferença entre o que foi produzido (12 milhões) e o que foi vendido (11 milhões) sugere acúmulo de estoques ou ajustes logísticos que o mercado deve monitorar.

Preço realizado e o fator prêmio

O preço médio das pelotas fechou o trimestre em US$ 125 por tonelada (cerca de R$ 631,5). O valor manteve-se estável frente aos três meses anteriores, mas subiu 4% em doze meses.

A mineradora atribui a sustentação do preço a melhores condições comerciais e à recuperação dos prêmios de pelotas ao longo do período. Esse indicador costuma antecipar a margem operacional nos balanços consolidados da Vale e da BHP.

  • Produção 3T26: 4,3 Mi t (+10% T/T, +4% A/A)
  • Vendas 3T26: 3,9 Mi t (estável T/T, -5% A/A)
  • Acumulado 9M26: 12 Mi t produzidas / 11 Mi t vendidas
  • Preço médio pelota: US$ 125/t (+4% A/A)

O que observar daqui para frente

A consistência operacional alcançada em 2026 coloca a joint venture em um novo patamar de previsibilidade. O desafio imediato não é mais produzir, mas escoar a produção sem pressionar os prêmios de pelota no mercado internacional.

Investidores devem acompanhar os dados de expedição portuária e os relatórios de demanda chinesa por pelotas de alta qualidade. A capacidade de converter o recorde de volume em geração de caixa livre será o teste definitivo para os próximos trimestres.