O segundo turno deste domingo (25) define não apenas o próximo presidente, mas o destino de bilhões em ativos públicos e o modelo de Estado que vai vigorar nos próximos quatro anos. De um lado, a retomada agressiva de privatizações; do outro, o fortalecimento de empresas como Petrobras e Correios como vetores de desenvolvimento. A escolha repercute direto no seu balanço.
O que muda no seu bolso a partir de segunda-feira
Se Flávio Bolsonaro vencer, o Programa Nacional de Desestatização volta à ativa. A promessa é de “tesouraço”: corte profundo na máquina, redução de ministérios, limite para gastos operacionais e desregulamentação trabalhista, tributária e previdenciária. O plano cita explicitamente a venda de ativos não estratégicos para atrair capital privado e reduzir o endividamento público.
Se Lula for reeleito, a rota é oposta. O programa veda a desestatização de Petrobras, Embrapa, Correios e outras. A aposta está na reestruturação financeira dessas empresas, parcerias com o setor privado e ampliação do Repetro — regime especial que suspende tributos para a cadeia de óleo, gás e hidrocarbonetos — agora readequado para metas de descarbonização.
Os números que o mercado precisa saber
O histórico recente pesa na decisão dos investidores:
- 76 empresas privatizadas no governo Jair Bolsonaro (2019-2022)
- Eletrobras vendida por R$ 33,7 bilhões em junho de 2022
- BR Distribuidora, Liquigás, Docas do ES e Refinaria Landulpho Alves também desestatizadas
- Petrobras, Correios, Casa da Moeda e Conab ficaram na fila — e seguem no radar
Do lado petista, a sinalização é clara desde a transição de 2022: “Vai acabar as privatizações nesse país”. A alternativa são concessões e PPPs — modelo que já moveu aeroportos como Brasília, Guarulhos, Confins, Galeão e Viracopos entre 2012 e 2013, além de rodovias e portos.
Digitalização: o ponto em comum que esconde divergências
Ambos os programas prometem expandir serviços digitais. O Gov.br já concentra mais de 5 mil serviços federais. Lula aposta na universalização personalizada e em infraestrutura pública digital. Flávio fala em “Brasil sem Fila” e digitalização como ferramenta para um Estado “mais ágil e menos custoso por dentro”. A diferença está no fim: um usa a tecnologia para fortalecer a capacidade estatal; o outro, para enxugar a estrutura.
Reforma administrativa e agências: o detalhe que muda o jogo regulatório
O plano de Flávio propõe reforma administrativa, redução de comissionados e aplicação rigorosa da Lei das Estatais (2016) para nomeações em agências reguladoras e empresas públicas. Promete ainda “revogaço regulatório” com avaliações periódicas de dirigentes — preservada a segurança jurídica.
Lula foca em transparência, controle de gastos e combate à corrupção “inclusive os do andar de cima”, com independência institucional. O eixo é a geração de valor público e redução de desigualdades via políticas públicas avaliadas e monitoradas.
Cenários para o dia 26: o que observar nas primeiras semanas
Independentemente do vencedor, três movimentos merecem atenção imediata de quem gere risco ou aloca capital:
- Sinalização sobre Petrobras: direção de investimentos (transição energética vs. retorno ao acionista), política de preços e governança
- Primeiras medidas fiscais: se haverá corte de ministérios e gastos (cenário Flávio) ou reprogramação de despesas com foco social (cenário Lula)
- Agenda regulatória: ritmo de concessões/PPPs, novos editais de infraestrutura e posicionamento sobre ativos na fila (Correios, Conab, Casa da Moeda)
O mercado já precifica incerteza. A leitura atenta dos primeiros decretos e da composição da equipe econômica — especialmente Ministério da Fazenda, Planejamento e Casa Civil — vai ditar o prêmio de risco Brasil nos próximos trimestres. Quem antecipar a narrativa oficial sai na frente.
