A Petrobras finalizou a perfuração do poço Morpho, na costa do Amapá, confirmando a segunda descoberta de petróleo no bloco FZA-M-59. A sonda NS-42 já deixa a região rumo à Bacia Potiguar, mas a campanha exploratória não para por aí. A próxima etapa, porém, tem data marcada apenas para o início de 2027.
O intervalo estratégico até 2027
A unidade NS-42 opera a 175 quilômetros da costa e conclui os procedimentos de abandono do poço Morpho nos próximos dias. Em seguida, a sonda segue para perfurar um poço exploratório na Bacia Potiguar, entre Rio Grande do Norte e Ceará.
Para dar continuidade aos trabalhos no Amapá, a companhia planeja mobilizar uma nova sonda. A previsão contratual aponta para a chegada do equipamento à área no primeiro trimestre de 2027. Até lá, o bloco FZA-M-59 permanecerá sem atividade de perfuração.
Por que a Margem Equatorial virou prioridade
A região, que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte, é vista como a principal fronteira exploratória do país. A geologia local guarda semelhanças com bacias produtoras da costa africana, onde grandes volumes de óleo leve já foram comprovados.
O petróleo encontrado no Amapá — classificado como “leve” ou “chique” — tem maior valor de mercado e menor pegada de carbono no refino. A descoberta no poço Morpho reforça a tese de que a Bacia da Foz do Amazonas pode replicar o sucesso do Pré-Sal em nova escala.
Os números que importam para o investidor
O plano de negócios da estatal prevê investimentos de US$ 2,5 bilhões em 15 poços na Margem Equatorial até 2030. No bloco FZA-M-59, restam três poços a perfurar após o Morpho. A viabilidade comercial depende, agora, da análise de dados sísmicos e de reservatório em andamento.
- Bloco: FZA-M-59 (Bacia da Foz do Amazonas)
- Descobertas confirmadas: 2 (poços Anhangá e Morpho)
- Próximos poços programados: 3
- Chegada da nova sonda: Início de 2027
- Investimento total na Margem (até 2030): US$ 2,5 bilhões
Licenciamento e o gargalo ambiental
A expansão da campanha esbarra no licenciamento do Ibama. A Petrobras já protocolou pedido para perfurar mais três poços na região, além dos previstos no bloco atual. A análise de impacto ambiental para a Foz do Amazonas permanece como o principal risco de cronograma para 2027.
Enquanto a licença não sai, a empresa concentra recursos na análise da extensão das reservas já encontradas. A definição sobre a economicidade da produção comercial deve sair antes da chegada da nova sonda.
O que observar daqui para frente
Três variáveis ditarão o ritmo nos próximos 24 meses: a emissão das licenças ambientais pendentes, a contratação da sonda de reposição dentro do prazo estimado e a conclusão dos estudos de viabilidade econômica do óleo leve. O mercado deve monitorar os relatórios trimestrais da Petrobras para atualizações sobre o capex alocado especificamente para a Margem Equatorial, sinalizando se o cronograma de 2027 se mantém viável.
