Internacional

Midterms 2026: A virada que pode paralisar Trump no Congresso

Capitólio dos EUA com urnas eleitorais e silhueta de Trump, representando midterms 2026
Eleições de meio de mandato de 2026 definirão controle do Congresso e poder dos estados para 2028

Em 3 de novembro, os EUA definem o controle do Congresso em uma eleição que funciona como referendo dissimulado sobre a gestão Trump. O resultado dita se o presidente governa com respaldo legislativo ou enfrenta dois anos de paralisia.

O tabuleiro: o que realmente está em jogo

Não é apenas a renovação de 435 cadeiras na Câmara e 35 no Senado. Trinta e seis governadores também serão eleitos, redesenhando o poder estadual que influencia o Colégio Eleitoral de 2028. Diferente do Brasil, o Congresso americano renova-se pela metade a cada dois anos: deputados cumprem mandatos de dois anos; senadores, de seis.

Hoje, os republicanos detêm maioria estreita nas duas Casas — 218 a 214 na Câmara e 53 a 47 no Senado. Essa margem magra expôs rachas internos e travou pautas sensíveis. Perder uma das Casas significa perder o controle da pauta, das comissões de investigação e do poder do impeachment.

O fator Trump: desaprovação recorde e a “maldição” histórica

O presidente não está na cédula, mas seu peso é total. Uma pesquisa Reuters/Ipsos de outubro cravou 66% de desaprovação — o pior índice da série histórica para seus dois mandatos. A economia e o custo de vida lideram as queixas.

Historicamente, o partido da Casa Branca perde assentos no meio do mandato. Com a rejeição atual, a tendência se intensifica. Trump investe pesado em comícios e endossos para furar esse padrão, mas a correlação entre aprovação presidencial e desempenho nas midterms costuma ser implacável.

Senado: a matemática favorece os democratas

O mapa de 2026 expõe mais cadeiras republicanas em disputa defensiva. Três projeções independentes convergem para uma virada azul:

  • Center for Politics (UVA): 49 Dem vs 46 Rep (5 indefinidas)
  • Race to the WH: 52-53 Dem vs 47-48 Rep (72,5% de chance Dem)
  • 270toWin: Empate 48 a 48 (4 indefinidas)

Se confirmado, o controle democrata do Senado blinda nomeações judiciais e executivas, além de travar projetos de lei vindos da Câmara.

Câmara: a “onda” genérica aponta para a troca de comando

O termômetro mais sensível é o “voto genérico”: 47% declaram intenção de votar em democratas contra 35% em republicanos (Reuters/Ipsos). As projeções de assentos confirmam a vantagem:

  • Center for Politics: 223 Dem vs 200 Rep (12 indefinidas)
  • Race to the WH: 236 Dem vs 199 Rep (92,2% de chance Dem)
  • 270toWin: 220 Dem vs 200 Rep (15 indefinidas)

A perda da Câmara permitiria aos democratas iniciar investigações formais contra o Executivo e bloquear a agenda fiscal do governo.

A guerra invisível: mapas e cédulas pelo correio

Duas batalhas técnicas decidem margens antes do eleitor comparecer.

Redistritamento: O Texas redesenhou mapas em agosto de 2025, garantindo vantagem ao GOP. A Califórnia retaliou, criando chance de ganho de 5 cadeiras democratas. Alabama, Flórida, Louisiana, Carolina do Norte, Ohio e Tennessee também tiveram mapas refeitos por republicanos; Utah ganhou distrito democrata via judicial.

Voto pelo correio: 37 estados e DC permitem solicitação sem justificativa. Trump assinou decreto em março endurecendo regras e exigindo verificação federal de cidadania. A Suprema Corte bloqueou em setembro a implementação de códigos de barras obrigatórios pelo Serviço Postal para novembro. A disputa judicial continua e pode judicializar resultados apertados.

O que observar daqui para frente

A apuração não tem órgão centralizador tipo TSE; cada estado conta no seu ritmo. Em 2022, o controle da Câmara levou mais de uma semana para ser definido. Em 2026, com margens projetadas tão finas e litígios sobre cédulas postais ativos, a incerteza pode se estender além de novembro. Para o mercado e para a governança, o cenário base é um Congresso dividido a partir de janeiro de 2027 — o que força negociação em temas como teto da dívida, orçamento e política comercial, mas paralisa reformas estruturais.