Internacional

Você não vai acreditar: Venezuela sai da lista negra dos EUA e muda tudo para investidores…

Venezuela removida da lista negra de investimentos dos EUA após captura de Maduro
EUA retiram Venezuela de lista de restrições severas de investimento, citando fim do regime de Maduro

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos acaba de retirar a Venezuela da lista de países sujeitos a restrições severas de investimento. A justificativa é direta: o regime de Nicolás Maduro “não existe mais” desde a captura do ditador por forças americanas em janeiro. Mas o que parece uma abertura pode esconder armadilhas para quem planeja aportar capital na região.

A proposta de regulamentação, publicada nesta quinta-feira (22), abre consulta pública até 7 de dezembro. O texto atualiza a Lei Coins — aprovada em dezembro de 2025 após iniciativa bipartidária iniciada em 2023 — e redefine quais nações representam “motivo de preocupação” para a segurança nacional americana.

O que muda na prática para quem investe

A exclusão venezuelana não significa carta branca. O Tesouro deixou claro que a regra proposta “ainda poderia se aplicar a certos investimentos em entidades venezuelanas”, sem detalhar quais. A liderança atual, sob Delcy Rodríguez, não se enquadra na definição legal do regime anterior, mas setores sensíveis seguem sob radar.

Na lista de países ainda enquadrados permanecem cinco nomes:

  • China — alvo original do programa desde 2023
  • Rússia
  • Cuba
  • Irã
  • Coreia do Norte

Para estas nações, a exigência de notificação prévia ao Tesouro mantém-se em seis setores estratégicos. Já investimentos em inteligência artificial são proibidos integralmente, independentemente do país de destino.

Biotecnologia entra na mira; IA segue vetada

A grande novidade setorial é a inclusão da biotecnologia entre as áreas de notificação obrigatória. A Lei Coins conferiu ao Tesouro autoridade para adicionar outros setores conforme necessário — sinal de que a lista pode crescer.

O secretário-adjunto Chris Pilkerton resumiu a lógica ao Reuters: “Não se trata apenas do investimento em si; não se trata apenas do dinheiro. Trata-se da rede, da cadeia de suprimentos e de aspectos como esses que decorrem desse investimento.”

A abordagem mira tecnologias de dupla utilização — aquelas com aplicações civis e militares — que beneficiem programas de defesa, Estados de vigilância ou países com violações sistemáticas de direitos humanos.

O sinal contraditório de Trump para a China

Enquanto as regras endurecem no papel, o presidente Donald Trump recebeu Xi Jinping para uma “luxuosa visita de Estado” no mês passado e adotou tom menos restritivo às tecnologias chinesas em seu segundo mandato. Analistas veem a divulgação das regras como forma de manter pressão sobre Pequim sem fechar portas diplomaticamente.

O programa de investimentos no exterior nasceu com foco exclusivo na China. A legislação Coins expandiu o escopo — e agora, com a Venezuela fora, o foco volta a se concentrar no gigante asiático.

O que observar daqui para frente

Três pontos merecem atenção nos próximos 90 dias: a definição precisa de quais “entidades venezuelanas” seguem sob restrição; a lista final de setores de notificação obrigatória após o período de comentários; e se a administração Trump usará a flexibilidade da lei para negociar bilaterais com Pequim. Quem tem exposição a ativos em países listados — ou planeja ter — deve mapear agora quais projetos exigirão notificação prévia a partir de 2026.