A Farm Rio confirmou que pretende inaugurar suas primeiras lojas na Ásia dentro de três anos, mesmo enquanto a marca permanece oficialmente à venda. Os alvos prioritários são China e Austrália, escolhidos pela influência regional e pela proximidade cultural com o público que a grife já conquistou nos EUA e na Europa.
A movimentação acontece em paralelo a uma reorganização societária complexa. A grife foi separada do grupo Azzas 2154 e colocada em uma nova estrutura com governança própria, onde a Arezzo detém 57,4% e a Soma fica com 42,6%.
Roteiro asiático já tem datas e consultoria de peso
O CEO Fábio Barreto visitou nos últimos meses três cidades chinesas, duas no Japão, além de Coreia do Sul e Singapura. Ele não viajou sozinho: a consultoria McKinsey foi contratada para “destravar o valor internacional” da marca e mapear os melhores pontos de entrada.
O cronograma prevê uma estreia na China e na Austrália, seguidos por Índia e Tailândia em uma segunda onda. A estratégia replica o modelo usado no Ocidente: abrir uma loja por vez para criar “raízes” antes de avançar.
Meta agressiva: 60% da receita fora do Brasil até 2032
Hoje, a Farm opera 14 lojas fixas no exterior — Londres, Paris, Nova York e Los Angeles são os endereços atuais. A meta declarada pela gestão é inverter a balança: tornar a operação majoritariamente internacional em menos de uma década.
- 2032: 60% do faturamento vindo de fora do Brasil
- Modelo: expansão cidade a cidade, não por atacado
- Posicionamento: “middle market” — entre fast fashion e luxo
Essa ambição não parece assustar potenciais compradores. Segundo o cofundador Marcello Bastos, os planos são “robustos demais” para serem alterados por um novo controlador.
Madri é o laboratório atual; São Paulo segue no radar
Enquanto a Ásia é preparada, a Europa recebe o teste mais recente. A Farm abriu uma loja temporária em Madri e negocia o ponto definitivo. A parceria com a Adidas para vestir o Real Madrid nos uniformes de aquecimento funciona como vitrine de alto alcance.
No front doméstico, a reabertura da flagship no shopping Iguatemi, em São Paulo, sinaliza que o mercado paulistano ainda tem espaço para crescer. Barreto admite que a marca não atingiu seu potencial total entre as consumidoras da capital.
Divisão de tarefas na nova gestão
Há seis meses no cargo, Barreto comanda exclusivamente a expansão global. Bastos, cofundador, cuida da operação brasileira e da América Latina. As coleções já são desenvolvidas de forma separada para cada frente, mas mantêm o mesmo posicionamento de preço e estilo.
A separação da Azzas foi aprovada sem restrições pelo Cade em 14 de outubro, desmanchando a fusão que havia sido autorizada em março de 2024. A nova sociedade reúne Farm Brasil, Farm Internacional e Fábula sob um mesmo teto.
O que observar nos próximos trimestres
A execução do plano asiático dependerá de dois vetores: a conclusão do processo de venda da marca e a capacidade de replicar em Xangai ou Sydney o “efeito raiz” que funcionou em Paris. Se a transição societária não travar os investimentos, a Farm pode se tornar o caso raro de empresa brasileira de moda que escala globalmente antes de definir seu dono definitivo. O mercado deve monitorar a abertura da loja definitiva em Madri e os primeiros anúncios de endereços na China como termômetros da viabilidade real do cronograma.
