A empresária Ana Maria Diniz transformou uma aula de dança improvisada em dezembro de 2009 no Estúdio Anacã, escola que hoje fatura alto com quase mil alunos e mais de 80 professores na Avenida Brasil, em São Paulo. O segredo não foi apenas identificar uma lacuna no mercado, mas estruturar a operação como empresa desde o primeiro dia. O que começou como reunião de amigas virou case de gestão que mistura arte, branding e escala.
Tudo começou quando uma convidada sugeriu chamar Helo Gouvea, ex-professora de Diniz, para uma aula de walk dance — técnica criada para iniciantes absolutos. A experiência funcionou tão bem que, ainda em dezembro, Diniz propôs alugar um salão para aulas semanais. Em julho de 2010, as portas abriam no Jardim Paulista. Quinze anos depois, a unidade ocupa dois imóveis e expandiu para música e teatro.
Por que contratar os professores mais caros do mercado
A estratégia inicial contrariou o manual de redução de custos. Diniz buscou deliberadamente “professores ícones”, mesmo encarecendo a folha. A lógica: reputação atrai aluno e valoriza a profissão. Na semana de inauguração, todas as aulas foram gratuitas para gerar experimentação e boca a boca.
- 20 modalidades no lançamento: sapateado, tango, jazz, balé clássico, ballet fitness
- Quase 1.000 alunos atuais
- 80+ professores no quadro
- 2 imóveis na Avenida Brasil
Hoje, jazz e walk dance lideram a procura. O portfólio ganhou projetos híbridos — teatro com dança, teatro com canto — aproximando as divisões Anacã Dança e Anacã Música.
A estrutura de governança que permite escala
Diniz não opera no dia a dia. Participa de comitê executivo semanal ao lado de gestora profissional, heads de vendas, marketing e RH. Helo Gouvea, definida pela sócia como “a alma do Anacã”, integra o mesmo comitê, mas está no estúdio diariamente, ministrando as aulas mais concorridas. A separação entre estratégia e operação libertou as sócias para focar no que cada uma faz melhor.
O nome “Anacã” significa “dança” em tupi-guarani e também batiza uma ave. A escolha reforçou identidade brasileira num mercado saturado de termos em inglês.
O que observar daqui para frente
O modelo Anacã prova que negócios de experiência podem escalar sem perder a alma — desde que a governança separe curadoria artística de gestão comercial. Para investidores e empreendedores do setor de wellness e educação não formal, o case sinaliza: marca forte + equipe estrela + comitê profissional = ativo vendável ou franqueável. A próxima jogada natural seria replicar o formato em outras capitais ou criar braço digital de assinatura. Quem acompanha o setor deve monitorar se a escola manterá a curadoria de “professores ícones” ao crescer ou se a rentabilidade pressionará a troca por instrutores mais baratos.
