O barril Brent renovou a máxima desde maio ao ultrapassar US$ 112 nesta quinta-feira (22), impulsionado por um ataque ao aeroporto de Dammam, na Arábia Saudita. A escalada forçou a maior petroleira do mundo a evacuar sua sede pela primeira vez no conflito atual. O cenário aponta para uma disrupção logística que vai muito além do preço imediato.
O gatilho imediato: Dammam e a corrida das cotações
Por volta das 5h45 (horário de Brasília), o Brent tocou US$ 112,67 — alta de 3,54% —, antes de recuar para a casa de US$ 111,94 (valorização de 2,87% às 8h50). O WTI, referência americana, acompanhou o movimento e superou a barreira dos US$ 99,50.
O estopim foi a investida contra o terminal aéreo de Dammam, no leste saudita, que deixou dois mortos e oito feridos. Embora as operações tenham sido retomadas, nenhum grupo assumiu a autoria. Dez dias antes, mísseis houthis atingiram o aeroporto de Riad, sinalizando uma campanha sistemática contra a infraestrutura do reino.
Aramco evacua sede pela 1ª vez: sinal de alerta máximo
A resposta da Saudi Aramco dimensionou a gravidade: funcionários foram orientados a deixar o complexo de Dhahran e trabalhar remotamente. Seis fontes confirmaram à Reuters que a medida é inédita desde o início do confronto com o Irã.
O prédio abriga o centro nervoso que monitora plataformas, refinarias, terminais de exportação e milhares de quilômetros de oleodutos. No início do mês, a mesma instalação já havia sido danificada por projéteis, com incêndio atingindo múltiplos andares.
Mar Vermelho e Hormuz: a rota de fuga também está travada
O risco não se resume a mísseis. Um bloqueio naval dos houthis no Mar Vermelho ameaça os embarques da Arábia Saudita, maior exportadora global de bruto. Essa rota funcionava como alternativa ao Estreito de Hormuz, por onde fluíam 20% do petróleo e gás mundiais antes do conflito.
Hormuz está bloqueado desde 28 de fevereiro. Com as duas passagens estratégicas sob ameaça simultânea, a margem de manobra logística da Opep+ praticamente desaparece.
- Brent (referência global): US$ 111,94 (+2,87%) às 8h50 de Brasília.
- WTI (referência EUA): US$ 99,58 (+2,5%) no mesmo horário.
- Pico da sessão: US$ 112,67 — maior nível desde 5 de maio (US$ 114,44).
- Baixas em Dammam: 2 mortos e 8 feridos.
Cenários para os próximos dias: o que observar daqui pra frente
A combinação de infraestrutura crítica sob fogo e gargalos marítimos duplos cria um prêmio de risco estrutural, não apenas conjuntural. Se a evacuação da Aramco se prolongar, a capacidade de resposta operacional a novos incidentes cai drasticamente.
Para o decisor de negócios, a variável-chave não é o fechamento de hoje, mas a sustentabilidade do fluxo nas próximas semanas. Monitorar a reação dos cargueiros no Mar Vermelho e eventuais anúncios da Opep+ sobre capacidade ociosa real será decisivo para precificar contratos de energia e logística no segundo trimestre.
