A B3 e a LibertyCard acabam de estrear o primeiro Certificado de Recebíveis de Crédito Consignado (CREC) do Brasil, uma emissão de R$ 5 milhões acessível a partir de R$ 100. O papel mira um mercado que gira cerca de R$ 600 bilhões por ano e, até agora, era território quase exclusivo de bancos e fundos institucionais.
Com prazo de 36 meses e rentabilidade projetada entre 18% e 22% ao ano — o equivalente a 180% do CDI —, o título carrega isenção de Imposto de Renda para resgates mensais de até R$ 35 mil. A estrutura replica a lógica dos CRIs e CRAs, mas lastreada em folhas de pagamento de servidores públicos.
Como a tokenização muda o jogo para o investidor pessoa física
A emissão roda sobre a infraestrutura de ativos digitais da Bolsa. Isso significa que a carteira de consignados foi tokenizada, permitindo a negociação de frações no mercado secundário desde o primeiro dia. Na prática, o investidor ganha liquidez num ativo que, historicamente, travava capital por anos.
Outro efeito direto: ao cortar intermediários na captação, a LibertyCard reduz seu custo de funding. A economia é repassada na ponta final — juros menores para servidores estaduais e municipais que hoje carregam dívidas caras.
O que está por trás dos números da estreia
- Captação inicial: R$ 5 milhões
- Aporte mínimo: R$ 100
- Prazo: 36 meses
- Rentabilidade alvo: 18% a 22% a.a. (~180% do CDI)
- Isenção de IR: resgates até R$ 35 mil/mês
- Lastro: carteira de crédito consignado de servidores públicos
Todo o volume levantado nesta primeira série será direcionado à expansão da carteira da originadora, com foco em portabilidade e renegociação de dívidas existentes. A meta declarada é combater o superendividamento dessa classe de trabalhadores.
Por que isso pode mudar o cenário do crédito consignado
Hoje, a cadeia do consignado envolve múltiplos elos: correspondentes, bancos repassadores, fundos estruturadores. Cada elo cobra seu spread. Ao acessar o mercado de capitais diretamente via CREC, a originadora elimina etapas e comprime o custo final.
Para o servidor, a consequência prática é a oferta de taxas mais competitivas em operações de portabilidade — trocar um empréstimo caro por outro mais barato sem perder o desconto em folha. Para o investidor, surge uma nova classe de ativo com lastro real, curto prazo e isenção tributária atrativa.
O que observar daqui para frente
A LibertyCard administra convênios públicos em expansão nacional e já sinalizou que pretende evoluir para instituição financeira independente. Se a estrutura de CRECs ganhar escala, a tendência é que outras originadoras repliquem o modelo, ampliando a oferta de papéis lastreados em consignado no varejo.
Fique atento aos próximos prospectos: volumes maiores, prazos variados e eventuais ajustes no limite de isenção de IR podem redefinir a atratividade risco-retorno desse novo segmento. A liquidez no mercado secundário, nos primeiros meses, será o termômetro real da aceitação pelo investidor pessoa física.
