Flávio Bolsonaro (PL) cumpriu agenda de campanha em São Paulo e no Ceará nesta quarta-feira (21), apresentando propostas que mexem diretamente com segurança pública, judiciário e educação infantil. O senador dividiu o palanque com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em Guarulhos e, à tarde, reuniu multidão em Fortaleza. A estratégia mira os dois maiores colégios eleitorais do Nordeste e Sudeste.
Segurança dura: pena de 8 anos e trabalho forçado
Em Guarulhos, a bandeira foi a repressão ao crime comum. O candidato defendeu prisão mínima de oito anos para roubo de celular, com regime de trabalho obrigatório.
“Comigo, ladrão de celular vai ficar preso no mínimo oito anos e vai ter que trabalhar. Para dar valor, como é difícil ralar para comprar um celular parcelado em 12 vezes”, declarou. A medida, se implementada, impactaria o sistema penitenciário e a legislação penal, exigindo alterações no Código Penal e na Lei de Execução Penal.
Transparência condicionada: o contra-ataque a Lula
Provocado pelo adversário a abrir sigilos, Flávio Bolsonaro aceitou o desafio, mas impôs uma lista de reciprocidades. A abertura de seus dados bancários e telefônicos estaria atrelada à divulgação de:
- Sigilos do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana (Marcola);
- Dados de empresas de parentes do presidente e do Instituto Lula;
- Registros de visitas ao Palácio da Alvorada;
- Cartões corporativos da Presidência;
- Agenda da primeira-dama.
O movimento transfere o ônus da prova para o Executivo federal e judicializa o debate de transparência antes mesmo de eventual posse.
STF na mira: perfil ideológico para as vagas
Outro ponto sensível para o mercado e instituições foi a promessa sobre o Supremo Tribunal Federal. Flávio Bolsonaro afirmou que indicará ministros com perfil alinhado às suas bandeiras: “Pessoas corretas, que respeitam a Constituição, contra as drogas e contra o aborto”.
Com duas vagas previstas para os próximos anos (Rosa Weber e Ricardo Lewandowski), a definição desse critério sinaliza uma Corte mais conservadora nos costumes e, potencialmente, mais restritiva em direitos individuais — fator de atenção para setores regulados e compliance.
Educação: voucher para creche privada e centros de autismo
Na seara social, duas propostas têm apelo direto para a força de trabalho feminina e rede privada de ensino:
- Voucher-creche: onde não houver vaga pública, o Estado financiaria a matrícula em instituições privadas. A medida visa a mãe que “acorda às 4h, pega três conduções” e não tem onde deixar a filha.
- Centros de espectro autista: construção de unidades especializadas de atendimento.
Ambas dependem de orçamento e aprovação legislativa, mas abrem espaço para parcerias público-privadas (PPPs) e expansão de redes de ensino conveniadas.
Ofensiva no Nordeste: Fortaleza e capitais vizinhas
Após o ato em São Paulo — maior colégio eleitoral do país —, a comitiva seguiu para a Arena Castelão, em Fortaleza. Atos simultâneos foram registrados em São Luís, Natal e novamente na capital paulista. A presença no Ceará, reduto histórico do PT, indica tentativa de furar a bolha petista no segundo turno.
O que observar daqui para frente
Três variáveis definirão a viabilidade desse pacote: a capacidade de articulação no Congresso para endurecer penas e criar vouchers; a reação do STF a eventuais tentativas de aparelhamento; e o custo fiscal das creches conveniadas em ano de ajuste das contas públicas. Investidores e gestores devem monitorar a tramitação de PECs penais e o desenho do novo Fundeb para captar oportunidades — ou riscos — no setor educacional e de segurança privada.
