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Empate técnico persiste: Bolsonaro 45% x Lula 44% a dias do 2º turno

Gráfico mostra empate técnico: Bolsonaro 45% e Lula 44% na pesquisa Quaest 2º turno
Pesquisa Quaest aponta empate técnico entre Bolsonaro (45%) e Lula (44%) a dias do segundo turno.

Nova pesquisa Quaest confirma empate técnico entre Jair Bolsonaro (PL) e Lula (PT) na reta final do segundo turno: 45% a 44%, respectivamente. A estabilidade do cenário, contudo, esconde movimentos relevantes nas taxas de rejeição e na avaliação de governo que podem definir o voto dos indecisos nos próximos dias.

O levantamento, contratado pela Globo e pelo jornal O Globo, foi realizado entre 17 e 20 de outubro com 2.154 eleitores em 124 cidades. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Os números brutos da intenção de voto

Dentro da margem de erro, a oscilação é mínima e favorece a leitura de estabilidade absoluta. Bolsonaro variou de 46% para 45%; Lula manteve os 44% da rodada anterior. Brancos, nulos e os que não vão votar permaneceram estacionados em 9%, enquanto os indecisos subiram de 1% para 2%.

  • Jair Bolsonaro (PL): 45% (intervalo: 43% a 47%)
  • Lula (PT): 44% (intervalo: 42% a 46%)
  • Brancos/Nulos/Não votam: 9%
  • Indecisos: 2%

Na prática, o intervalo de confiança coloca os dois candidatos em situação de paridade perfeita. A disputa, portanto, migrou para os atributos qualitativos: rejeição e avaliação da gestão atual.

Rejeição: o termômetro do “voto contra”

Se a intenção de voto não mexe, a rejeição desenha o mapa do risco. Bolsonaro lidera o índice negativo com 52%, contra 47% de Lula. A diferença de cinco pontos percentuais fora da margem de erro sugere que o eleitorado tem mais resistência ao nome do atual presidente do que ao do petista.

Esse dado ganha peso quando cruzado com o medo do eleitorado: 44% temem a volta da família Bolsonaro ao poder, enquanto 42% receiam mais um mandato de Lula. O “voto útil” anti-rejeição tende a ser o fiel da balança para os 2% de indecisos e parte dos 9% de brancos e nulos.

Avaliação de governo: a estabilidade que beneficia o desafiante

A série histórica da Quaest mostra um governo Lula avaliado de forma estável, porém dividida. Na última leitura, a aprovação pessoal do presidente atingiu 46%, ante 47% de desaprovação — o menor patamar de reprovação da série, que começou em 50% em meados de setembro.

Na avaliação qualitativa do governo (ótimo/bom, regular, ruim/péssimo), o quadro também se manteve:

  • Positivo: 34%
  • Regular: 26%
  • Negativo: 38%

O percentual de “regular” (26%) é o campo de batalha real. Esse eleitor não rejeita a gestão, mas não a endossa com entusiasmo. É nele que a campanha do PT aposta para converter a aprovação de governo em voto no candidato, enquanto o PL tenta transformar a insatisfação latente em comparecimento às urnas.

O que observar na reta final

Com menos de uma semana para o pleito, três variáveis definem o desfecho: a migração do voto “regular” para positivo ou negativo, a taxa de abstenção (historicamente alta no segundo turno) e o comportamento do eleitorado de baixa renda, sensível a programas sociais e ao custo de vida.

A pesquisa está registrada no TSE sob o protocolo BR-04466/2022. Para investidores e analistas de risco, o cenário base permanece o de incerteza binária: qualquer projeção de mercado para 2023 deve contemplar dois cenários macroeconômicos diametralmente opostos com probabilidades praticamente iguais.