Elon Musk confirmou oficialmente que Tesla e SpaceX criaram comitês independentes para avaliar uma fusão entre as duas gigantes. A declaração fez as ações da SpaceX saltarem 8% no after-market, enquanto papéis da montadora subiram quase 2%. O bilionário classificou a união como “uma boa ideia”, mas alertou: os colegiados ainda não definiram termos e podem jamais chegar a um consenso.
O que está em jogo para o bolso do investidor
A estrutura acionária torna o cenário sensível. Musk detém cerca de 20% da Tesla e pouco menos de 50% da SpaceX. Analistas apontam que uma fusão consolidaria o controle da nova entidade nas mãos do empresário, o que exige aval rigoroso dos acionistas minoritários. Por isso, os comitês especiais — formados apenas por conselheiros sem conflito de interesse — foram exigidos pelo próprio mercado.
O Barclays já previa um anúncio antes da assembleia anual da Tesla em dezembro. A fonte ouvida pela Reuters indica que as negociações avançaram nas últimas semanas e podem resultar na compra da montadora pela empresa aeroespacial, e não o inverso. A montadora, inclusive, contratou assessoria de um banco de investimentos para conduzir o processo.
Números que explicam a pressa da SpaceX
A empresa de foguetes e satélites apresentou seu primeiro lucro trimestral desde a abertura de capital. A receita total explodiu 161% no terceiro trimestre, atingindo US$ 14,58 bilhões (R$ 73,1 bilhões). O motor desse crescimento não foi apenas o Starlink, mas a divisão de infraestrutura para inteligência artificial.
- Receita de IA: saltou quase 10x, para US$ 7,56 bilhões (R$ 37,9 bilhões).
- Clientes-chave: Anthropic, Google (Alphabet) e Reflection AI alugam capacidade nos data centers da SpaceX.
- Capex: investimentos em ativos e infraestrutura quase triplicaram, para US$ 19,6 bilhões (R$ 98,3 bilhões).
Musk projeta que a receita recorrente anual (ARR) da SpaceX alcance entre US$ 500 bilhões e US$ 1 trilhão até o fim de 2027. A meta depende da manutenção da demanda por computação de alto desempenho para treinar modelos de IA — um mercado que não dá sinais de arrefecimento.
A peça que falta: sinergia real via chips próprios
Não é só papel. A Terafab, joint venture criada pelas duas empresas para fabricar semicondutores, deve entregar o primeiro chip de teste entre maio e junho de 2027. A produção em larga escala está prevista para o terceiro trimestre de 2028. A verticalização de hardware reduziria a dependência de fornecedores externos como a Nvidia e baixaria o custo operacional de ambos os negócios — carros autônomos e satélites de baixa latência.
Mas o cronograma agressivo esbarra na execução do Starship. O foguete de nova geração é essencial para lançar a constelação Starlink de segunda geração, que por sua vez alimenta a receita de conectividade e dados. Atrasos nos testes orbitais representam o maior risco operacional para as projeções bilionárias.
O que observar daqui para frente
O próximo gatilho concreto é a divulgação dos pareceres dos comitês especiais. Sem acordo sobre valuation e governança, a fusão travada vira ruído de mercado. Acompanhe também a evolução da receita de data centers da SpaceX nos próximos balanços: se o crescimento de 10x se sustentar, a tese de que a empresa aeroespacial “compra” a montadora ganha força financeira indiscutível. Para o investidor, a lição é clara: a fronteira entre mobilidade, espaço e computação deixou de existir no balanço de Musk.
