Economia

Helbor recomenda OPA para fechar capital: desconto de 12,8% e leilão dia 28

Logotipo da Helbor e HBR Realty com gráfico de ações e data do leilão 28 de outubro
Conselho da Helbor recomenda aceitação da OPA da HBR Realty para fechamento de capital na B3

O conselho de administração da Helbor recomendou que os acionistas aceitem a oferta pública de aquisição (OPA) da HBR Realty para fechar o capital da incorporadora na B3. A operação não envolve dinheiro: cada ação da Helbor será trocada por 0,8155 papel da HBR, empresa do mesmo grupo familiar. O leilão está marcado para 28 de outubro e a decisão final cabe aos minoritários.

O preço implícito de R$ 2,52 por ação Helbor carrega um desconto de 12,8% sobre a média dos últimos 12 meses. Mas o laudo de avaliação revela um detalhe que pouca gente comenta: pelo patrimônio líquido, o papel valeria R$ 10,91. Por que a diferença tão grande?

O preço na mesa e o critério escolhido

A consultoria Apsis usou a média das cotações dos 90 dias úteis anteriores ao laudo como critério de “preço justo”. Como a ação vinha caindo no primeiro semestre, o valor de referência despencou. Pelo fluxo de caixa descontado, a avaliação subiria para R$ 3,95 — ainda assim, 57% acima da oferta.

O Bradesco BBI emitiu parecer de *fairness opinion* atestando que o preço é adequado. Ainda assim, a assimetria é evidente: o controlador define o critério que mais o beneficia no momento.

  • Oferta: 0,8155 ação HBR por 1 ação Helbor (sem caixa)
  • Valor implícito Helbor: R$ 2,52
  • Valor implícito HBR: R$ 3,09
  • Patrimonial Helbor (livro): R$ 10,91
  • Desconto vs. 12 meses: 12,8%

Conflito de interesses: o elefante na sala

Henrique e Henry Borenstein, membros do conselho e controladores, se abstiveram da votação. Os outros cinco conselheiros aprovaram por unanimidade. O próprio parecer admite que os termos não resultaram de negociação entre partes independentes, já que ambas as empresas pertencem à família Borenstein.

Mesmo reconhecendo a assimetria de informação como fator de risco, o conclui que isso não prejudica a oferta. O bloco controlador — com 50,1% da Helbor e 52,5% da HBR — se comprometeu a entregar 100% de suas ações no leilão nas mesmas condições.

O que o minoritário ganha (ou perde) na troca

Se a OPA tiver sucesso, a Helbor sai do Novo Mercado e da B3. Os atuais acionistas da incorporadora passarão a deter cerca de 51,2% da HBR. Desse total, aproximadamente 25,3% ficarão nas mãos dos atuais minoritários da Helbor.

A HBR opera no modelo de renda: shoppings, lajes corporativas e imóveis alugados. É um perfil de fluxo de caixa mais previsível, mas com crescimento orgânico mais lento que o de incorporação. A troca muda radicalmente o risco-retorno da posição.

Números do trimestre mostram por que a pressa em simplificar

A prévia operacional do terceiro trimestre ajuda a entender a urgência do grupo. Os lançamentos somaram R$ 70,8 milhões em VGV — queda de 87,9% na comparação anual. No trimestre anterior, a empresa não lançou nada.

As vendas brutas caíram 25,6% no período, para R$ 356,5 milhões. No acumulado do ano, a retração é de 28,7%. A velocidade de vendas (VSO) recuou de 16,9% para 12,1%, e os repasses — que geram caixa imediato — desabaram 71,7%, para R$ 176 milhões.

Entre março e junho, a dívida líquida subiu de R$ 1,66 bilhão para R$ 1,77 bilhão. A receita líquida trimestral encolheu de R$ 346,6 milhões para R$ 212,7 milhões. O banco de terrenos ainda vale R$ 11,2 bilhões em VGV potencial, mas a execução travou.

O que observar nas próximas semanas

A oferta só avança se titulares de mais de dois terços das ações em circulação habilitadas aceitarem. O leilão acontece em 28 de outubro, com liquidação financeira prevista para 9 de novembro.

A HBR afirma que o objetivo é capturar sinergias e cortar custos de manutenção de capital aberto — as empresas já compartilham estrutura administrativa e tocam empreendimentos em conjunto. Não há plano formal de fusão, mas o caminho fica aberto para uma incorporação futura.

Para o minoritário, a conta é simples: aceitar a troca a R$ 2,52 (com desconto sobre o patrimônio) ou ficar com uma ação sem liquidez em empresa de capital fechado, dependendo de uma futura valorização dos ativos de renda da HBR. O relógio corre até o dia 28.