O bezerro valorizou mais que o boi gordo quando medido em reais por arroba — uma virada que poucos esperavam e que muda a conta da reposição. Desde o fechamento de 2025 até 16 de outubro, a categoria de base subiu 23,3% nessa base, contra 19,3% do animal terminado. O segredo está no peso médio, que encolheu 16,3 kg no período.
Em valores absolutos, o boi gordo (Cepea) saltou de R$ 319,20 para R$ 380,70 por arroba, um ganho de R$ 61,50. Já o bezerro (Cepea, Mato Grosso do Sul) foi de R$ 3.066,60 para R$ 3.489,70 por cabeça — alta de 13,8%. Olhando só o preço por animal, o boi parece ter vencido. A equação muda ao converter para arroba equivalente.
Por que a arroba do bezerro subiu mais
A conversão considera o peso vivo médio. No fim de 2025, o bezerro padrão pesava 211,8 kg, o que colocava a arroba a R$ 434,40. Em outubro, o peso caiu para 195,5 kg, jogando a arroba para R$ 535,40. A redução de 7,7% no peso médio amplificou a valorização unitária.
Dois fatores explicam o fenômeno:
- Oferta de animais mais leves — secas consecutivas e retenção de fêmeas reduzem a idade média na desmama.
- Demanda aquecida por reposição — pecuaristas buscam recompor plantéis, aceitando bezerros mais novos e leves.
O recado do mercado futuro
Enquanto o físico avança, os contratos na B3 sinalizam otimismo adicional. Na semana de 8 a 16 de outubro:
- Vencimento novembro: R$ 394,70 → R$ 397,40 (+0,7%)
- Vencimento dezembro: R$ 393,30 → R$ 396,20 (+0,7%)
O prêmio do futuro sobre o spot (R$ 380,70) mantém-se entre R$ 15 e R$ 17 por arroba, indicando expectativa de continuidade da alta no curto prazo.
Dólar muda a régua para o exportador
Em moeda americana, o boi gordo foi o destaque de valorização no acumulado do ano até meados de outubro. A combinação de preço interno forte e câmbio favorável amplia a margem de quem vende para fora — e pressiona a disponibilidade interna.
O que observar nas próximas semanas
Três variáveis vão ditar o ritmo:
- Chuvas e pasto — recuperação do peso médio da reposição pode aliviar a arroba do bezerro.
- Escala de abate — frigoríficos com programação alongada sustentam o boi gordo.
- Contratos futuros — se o prêmio persistir, o pecuarista tem incentivo a travar venda forward.
A relação de troca bezerro/boi, hoje em torno de 1,41 arroba de boi por bezerro (contra 1,34 no fim de 2025), segue desfavorável ao recriador. Quem compra reposição paga mais caro por quilo produzido. A decisão de reter ou vender bezerros próprios ganha peso estratégico: cada quilo a mais no animal de entrada vale, hoje, R$ 5,35 na ponta da régua.
