Em novembro do próximo ano, a Fenatran será palco da maior renovação de portfólio da Scania no Brasil dos últimos tempos. A fabricante sueca estreia um motor 11 litros em duas faixas de potência e cabines que prometem cortar o custo por quilômetro rodado. O reflexo direto no seu custo operacional pode chegar antes do esperado.
O motor que mira o “doce” do transporte leve
A grande novidade mecânica é o propulsor de 11 litros, oferecido com 390 cv e 430 cv. Ele nasceu para disputar espaço em segmentos de cargas mais leves — e-commerce, frigorificados, carga geral e containers — onde a relação peso-potência dita a rentabilidade. A transmissão é a Opticruise G25, de 14 marchas, já conhecida pela robustez.
A versatilidade aparece nas configurações de chassi disponíveis desde o lançamento:
- 4×2 e 6×2: Foco em transporte rodoviário de carga geral;
- 6×4: Construção leve e operações fora de estrada moderado;
- 8×2: Transporte de frutas, granja e alimentos perecíveis.
Menos diesel, mais tempo na estrada
O diretor de desenvolvimento de negócios, Marcelo Gallão, resume o apelo: versatilidade com foco em consumo. A promessa é de redução de até 8% no gasto de diesel frente à média do mercado. Para atingir esse número, a engenharia aplicou três pilares tecnológicos:
- Comando de válvulas variável (VVT): Ajusta abertura e fechamento para otimizar a queima em qualquer rotação;
- Freio CRB (Compression Release Brake): Auxilia na desaceleração sem desgastar o sistema de serviço;
- Unidade de otimização de combustível: Eleva o diesel aproveitável no tanque de 87% para 97%, esticando a autonomia sem aumentar a capacidade.
Outro ganho operacional vem da reposição dos filtros de óleo e combustível. Agora lado a lado em área mais fria do cofre, eles reduzem o tempo de parada para manutenção preventiva — detalhe que pesa na conta de frotas com alta utilização diária.
Uma plataforma que já provou números
Não é um tiro no escuro. A família Super, que estreou no Brasil em 2022, já emplacou pouco mais de 25,5 mil unidades. Esse histórico dá previsibilidade ao investidor: a base tecnológica é madura, a rede de assistência já domina a arquitetura e a curva de depreciação tende a ser favorável.
Cabine: segurança e retenção de talento ao volante
Mas a motorização é apenas metade da história. As linhas P, G, R e S recebem atualizações que atacam dois gargalos do setor: acidentes e escassez de motoristas. O backset — limitador de movimento da cabeça em colisão ou frenagem brusca — chega para reduzir lesões cervicais.
No conforto, a cama reclina até 60 graus, há carregador por indução e ar-condicionado de teto como alternativa ao umidificador. A cereja tecnológica é o display central interativo: concentra telemetria, gestão de frota, dados do implemento e até canais com seguradoras e clientes. Tudo acessível por comando de voz, inclusive acionamento de emergência.
Para completar, baterias AGM permitem rodar o climatizador de estacionamento por oito horas com o motor desligado. Externamente, faróis full-LED mais leves cortaram 750 gramas no peso bruto — margem extra para carga útil.
Ônibus também entram na dança
A plataforma Super migra para os chassis rodoviários. A gama K ganha versões 11 litros (K 350, K 390, K 430) e 13 litros (K 460, K 500), cobrindo desde fretamento e linhas regionais até double-deckers de longa distância. A padronização de trem de força entre caminhões e ônibus simplifica a gestão de frotas mistas.
O que observar daqui para frente
A estreia real acontece na Fenatran 2025. Até lá, três variáveis merecem sua atenção: a precificação final frente aos concorrentes de 11 e 13 litros; a resposta da rede de concessionários à nova arquitetura de manutenção; e, principalmente, os primeiros relatórios de consumo real em operação brasileira — onde topografia, qualidade do diesel e peso da carga testam a promessa dos 8% de economia. Quem fechar pedido nas primeiras semanas de feira costuma garantir condições de lançamento; vale alinhar com seu gestor de frota o cronograma de renovação para não perder a janela.
