Saúde

O tabu que adoece: 10 mulheres revelam o que ninguém conta sobre a menopausa

Dez mulheres diversas sorrindo juntas, simbolizando quebra do tabu da menopausa
Mulheres influentes unem forças para quebrar o silêncio sobre a menopausa no Dia Mundial da Menopausa.

Dez mulheres influentes quebram o silêncio sobre a menopausa e expõem como a desinformação ainda causa mais danos que os próprios sintomas. O Dia Mundial da Menopausa, criado apenas em 2009 — duas décadas depois do Outubro Rosa — expõe o atraso histórico no cuidado com essa fase. O que elas descobriram muda tudo o que você achava saber.

O tabu não é apenas incômodo: ele adoece. A frase da apresentadora Adriane Galisteu resume o cerne do problema. Enquanto o silêncio persiste, mulheres enfrentam insônia, ondas de calor, queda de libido e crises de ansiedade sem saber que tratamentos existem e são seguros para a maioria.

O custo do silêncio: duas décadas de atraso

Até 2009, não existia uma data global para discutir menopausa. O Outubro Rosa, voltado ao câncer de mama, nasceu nos anos 1990. Esse intervalo de 20 anos reflete a prioridade dada à saúde feminina: prevenção de doença vale campanha; qualidade de vida na maturidade, não.

O resultado prático: gerações de mulheres entraram no climatério sem referência. Astrid Fontenelle relatou indignação ao ver amigas aos 50 anos surpreendidas por sintomas que a medicina já conhecia. A informação existia; faltava quem dissesse “aconteceu comigo”.

Reposição hormonal: o medo que a ciência já superou

Fernanda Lima entrevistou quase 20 médicos para seu podcast antes de optar pela terapia hormonal. O receio vinha de estudos antigos, hoje reinterpretados. A decisão devolveu a sensação de “ser ela mesma”. Dados atuais mostram que, para mulheres abaixo dos 60 anos ou até 10 anos após a menopausa, os benefícios cardiovasculares e ósseos superam os riscos na maior parte dos perfis.

  • Início precoce: Naomi Watts teve primeiros sintomas aos 36 anos, após o segundo filho.
  • Perimenopausa longa: Kim Cattrall enfrentou insônia prolongada antes da menopausa oficial.
  • Tratamento individualizado: não existe protocolo único; a avaliação de risco é pessoal.

Mas o efeito mais relevante aparece na autoimagem e no lugar social da mulher madura.

Valor não diminui: a “versão turbinada” de si mesma

Brooke Shields, aos 50 anos, declarou sentir-se mais sexy que na adolescência. Halle Berry foi além: “somos como versões turbinadas de nós mesmas — mais inteligentes, mais sábias”. A narrativa de perda dá lugar à de expansão. Paulina Porizkova, aos 61, afirma nunca ter se sentido tão bem no próprio corpo, mesmo após dores crônicas e ganho de peso.

Gloria Pires resume a mudança interna: “comecei a me ouvir. A reconhecer o que é meu e aquilo que eu não quero mais ceder”. A maturidade vira filtro, não fim.

Maturidade como ativo econômico: a “matripotência”

Egnalda Côrtes, CEO da primeira agência de creators negros da América Latina, cunhou o termo “matripotência”: a capacidade de transformar a energia da maternidade — biológica ou simbólica — em negócios e legados. “Há uma crença de que envelhecer é sinônimo de ultrapassado. Isso é um erro estratégico. O mercado só perde quando não entende que a maturidade é uma potência”, afirmou.

O dado que falta nas pesquisas de RH: mulheres 50+ lideram, empreendem e consomem. Ignorá-las é falha de mercado, não da biologia.

O que observar daqui para frente

A conversa migrou do privado para o público. Podcasts, capas de revista e redes sociais normalizam o tema. O próximo passo é estrutural: políticas de saúde que garantam acesso à terapia hormonal no SUS, formação médica atualizada sobre climatério e ambientes corporativos que não tratem a menopausa como licença, mas como fase de produtividade distinta. Quem acompanhar essa curva — não o muro — sai na frente.