A reforma tributária prestes a entrar em vigor pode encarecer as passagens aéreas em dois dígitos e tirar 25 milhões de passageiros dos aviões a cada ano. O setor alerta: a conta não fecha.
Executivos das principais companhias projetam que a carga efetiva sobre bilhetes salte dos atuais 9% para algo próximo de 26,5%. A Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo) calcula alta de 16,1% nos voos domésticos e 13,3% nos internacionais.
O tamanho do impacto no bolso do viajante
Não é apenas uma questão de percentuais. A entidade estima que o tráfego total caia 21% ao ano — o equivalente a 25 milhões de assentos vazios. Para um mercado que vinha em recuperação, o baque seria brutal.
Peter Cerda, vice-presidente da Iata para as Américas, pediu ao governo que adie a implementação ou crie alíquota reduzida para a aviação. O argumento: o setor move turismo, cargas e conectividade essencial para a economia.
- Voos domésticos: +16,1% no preço médio
- Voos internacionais: +13,3%
- Queda de demanda: 21% ao ano (≈25 milhões de passageiros)
Combustível mais barato não compensa a conta
Há um alívio previsto: a eliminação do ICMS estadual sobre o querosene de aviação. Mas Jerome Cadier, presidente da Latam Brasil, é direto: a economia no combustível não cobre o aumento brutal na tributação das passagens.
A transição será gradual — oito anos a partir de 2027. Ainda assim, a expectativa de impostos mais altos já começa a frear projeções de crescimento da demanda.
O eleitor decide o rumo da tributação
O cenário político adiciona uma camada de imprevisibilidade. Flávio Bolsonaro (PL), senador eleito, promete revisar trechos da reforma aprovada em 2023, alegando que a alíquota do IVA dual está alta demais. Lula (PT) defende o texto atual.
O segundo turno em 25 de outubro define qual visão prevalece. Cerda resume o dilema: se Lula vencer, haverá troca de ministros e nova rodada de negociações; se Bolsonaro levar, o futuro da própria reforma fica em aberto.
Viajante a lazer paga a conta sozinho
Empresas que compram passagens corporativas poderão recuperar créditos do IVA. Quem viaja a lazer, não. O passageiro comum absorve o aumento integral — e é justamente esse segmento que sustenta a maior parte da ocupação nos voos de fim de semana e férias.
O Ministério da Fazenda não comentou as projeções do setor.
O que observar nos próximos meses
A definição eleitoral ditará o ritmo. Se a reforma avançar nos moldes atuais, companhias terão de repassar custos ou cortar rotas menos rentáveis. Aeroportos regionais — já frágeis — correm risco de perder voos. Para o viajante, a dica prática: monitorar anúncios de alíquotas setoriais e, se possível, antecipar compras de passagens para 2025 e 2026, antes da transição começar a valer.
