O setor de minerais críticos e estratégicos fechou 2025 com 129.423 postos de trabalho formais, representando 57% de toda a mão de obra da indústria extrativa brasileira. O número surpreende, mas a verdadeira oportunidade está nos detalhes que o novo portal da ANM revela.
Crescimento de 8,6% em apenas dois anos. Dados do Ministério do Trabalho cruzados com a Rais e o Novo Caged mostram uma transformação silenciosa no mapa produtivo do país. O que isso significa para quem investe ou opera no setor?
O mapa do dinheiro: onde os empregos estão concentrados
Três estados absorvem a maior fatia da força de trabalho. Minas Gerais lidera isolado com 62.631 vagas, seguido pelo Pará (27.047) e Bahia (9.147). Juntos, somam quase 99 mil posições — 76% do total.
No nível municipal, a disputa fica acirrada. Parauapebas (PA) e Nova Lima (MG) empatam tecnicamente na casa dos 8,2 mil trabalhadores cada. Congonhas (MG) fecha o pódio com 7.114. A concentração geográfica revela onde a infraestrutura e a cadeia de fornecedores já estão maduras.
Ferro ainda reina, mas a transição energética acelera
O minério de ferro responde sozinho por 70.027 empregos — mais da metade do total. Metais preciosos aparecem em segundo com 21.313 postos. Mas a lista de 21 substâncias monitoradas inclui lítio, terras-raras, nióbio, cobre e titânio.
Esses são os insumos da descarbonização global. A demanda internacional por baterias, turbinas eólicas e redes de transmissão transforma cada projeto dessas commodities em ativo estratégico. O portal da ANM permite rastrear cada uma delas.
- Alumínio, ouro, ferro, cobre — base consolidada
- Terras-raras, nióbio, titânio, lítio — fronteira da transição energética
- 1.012 áreas em produção geraram R$ 250,4 bilhões em 2025
Perfil da força de trabalho: qualificação paga mais
A remuneração média expõe a distância entre níveis de escolaridade. Ensino fundamental: R$ 3.218. Ensino médio: R$ 4.142. Ensino superior: R$ 11.856 — quase quatro vezes o piso.
Dos 129 mil trabalhadores, 30.707 têm diploma universitário (14%). Homens ocupam 19.060 dessas vagas; mulheres, 11.647. No geral, o setor segue majoritariamente masculino: 78% do total (100.765 postos). Mulheres somam 28.658 (22%).
Mão de obra qualificada atinge 51.714 profissionais (23%). Em Nova Lima, 58% dos empregados têm nível superior. Em Parauapebas, 22%. Em Congonhas, 17%. A diferença reflete a natureza das operações: gestão, engenharia e tecnologia concentradas em Minas; operação de mina no Pará.
O que observar daqui para frente
O portal geoespacial da ANM permite cruzar produção, investimento e comércio exterior por município. Para investidores, é ferramenta de due diligence territorial. Para gestores públicos, base para políticas de qualificação e infraestrutura.
Dois vetores merecem monitoramento contínuo: a expansão de projetos de lítio e terras-raras no Vale do Jequitinhonha e no Nordeste, e a evolução da participação feminina em cargos técnicos — hoje ainda distante da paridade mesmo nos municípios com maior escolaridade.
O próximo ciclo de dados da Rais e do Novo Caged, previsto para o primeiro semestre, dirá se o crescimento de 8,6% se sustenta ou acelera. Quem acompanhar de perto terá vantagem na alocação de capital e na antecipação de gargalos de mão de obra especializada.
