A fabricante de sucos The Natural One colocou à venda uma fatia relevante do negócio para turbinar um plano agressivo de internacionalização. Os bancos Nomura e Itaú BBA já rodam o mercado — especialmente no exterior — em busca de um parceiro com capital e sinergia para levar a marca a 50% de receita fora do Brasil em cinco anos. A definição do novo acionista deve sair até março de 2027.
O tabuleiro acionário mudou de figura
A estrutura societária foi redesenhada no ano passado. O fundo Gávea Investimentos, de Arminio Fraga, viu sua participação cair de 49% para 30% após a entrada do empresário Edson Luiz Inácio. Ele aportou ativos da Vêneto Agrícola — fazendas de laranja — em troca de 30% da companhia, blindando o suprimento de matéria-prima.
O fundador Ricardo Ermírio de Moraes mantém o controle com 40%. A Gávea, sócia há nove anos, não tem saída garantida; a diluição total da gestora está na mesa, mas não decidida.
Números que justificam a pressa
A empresa encerrou 2025 com faturamento de R$ 1 bilhão e projeta crescer 30% em 2026. A meta de exportação, hoje em 10% do bolo, é o motor da captação. A marca já está em 11 países — Canadá, Chile, China e México lideram —, e a adição do “The” ao nome foi estratégia deliberada para soar nativo lá fora.
- Receita 2025: R$ 1 bi
- Projeção 2026: +30%
- Exportação atual: 10% do faturamento
- Meta exportação (5 anos): 50%
- Capex previsto 2026: ~R$ 40 milhões (pomares e logística)
O risco da laranja e a aposta no “Fresh”
Dependência de fornecedores externos sempre assombrou o setor. A compra das fazendas da Vêneto resolveu parte do problema, mas plantar novos pomares exige caixa pesado e tempo — daí os R$ 40 milhões previstos para 2026.
Paralelamente, a empresa migrou parte do portfólio para a linha Fresh (35% suco + água). A jogada responde à pressão de nutricionistas contra a densidade calórica dos integrais 100%. A expectativa interna é que essa linha represente 30% a 40% das vendas em curto prazo, defendendo margem sem abrir mão do discurso “natural”.
O que observar nos próximos meses
O anúncio do investidor — previsto para o primeiro trimestre de 2027 — dirá se a The Natural One vira case de scale-up global ou se precisa rever o ritmo. Três sinais valem monitorar: a nacionalidade do fundo (estratégico vs. financeiro), o destino do capital (fábrica vs. marketing internacional) e a velocidade de conversão da linha Fresh em receita recorrente. Quem chegar agora aposta na tese de que suco premium brasileiro vira commodity de prateleira global.
