Tecnologia

Dois funcionários do RH criaram uma IA em 12 dias — e libertaram 3.600 horas de trabalho

Dois analistas de RH da Riachuelo criam ferramenta de IA no-code no programa Builders
Analistas de RH desenvolvem IA sem código e recuperam 3.600 horas de trabalho na Riachuelo

Dois analistas de recursos humanos, sem escrever uma única linha de código, construíram uma ferramenta de inteligência artificial que eliminou semanas de trabalho manual na Riachuelo. O resultado: 3.600 horas devolvidas à equipe em poucos meses.

Como isso foi possível? A resposta está em um programa interno que transformou colaboradores comuns em criadores de tecnologia.

O programa que virou o jogo

Batizado de Builders, o projeto nasceu para tirar a IA do papel de “futuro distante” e colocá-la na rotina de quem resolve problemas todo dia. A ideia: qualquer funcionário, de qualquer área, pode propor e construir uma solução — desde que tenha o aval da liderança e acesso às ferramentas certas.

Não há exigência de formação técnica. O que conta é o conhecimento do processo.

Do problema à solução em menos de duas semanas

As avaliações de desempenho da varejista envolviam planilhas, e-mails, reuniões de alinhamento e um volume de retrabalho que consumia dias da equipe de RH. Os dois analistas mapearam cada etapa, identificaram os gargalos e, com apoio de uma plataforma de low-code/no-code integrada a modelos de linguagem, desenharam um fluxo automatizado.

Em 12 dias, a ferramenta estava no ar.

  • Tempo de desenvolvimento: 12 dias
  • Horas economizadas: 3.600 em menos de 6 meses
  • Equipe envolvida: 2 analistas de RH + suporte técnico pontual
  • Tecnologia: plataforma low-code + LLMs

O impacto vai além do RH

A automação liberou gestores para conversas estratégicas com suas equipes — o que, no papel, é o verdadeiro objetivo de uma avaliação de desempenho. Mas o efeito colateral mais forte foi cultural: outros departamentos começaram a procurar o time do Builders com suas próprias dores.

Logística, financeiro, marketing. Cada área carrega processos repetitivos que, até então, “sempre foram feitos assim”.

O que muda quando quem cria é quem usa

Ferramentas desenvolvidas por consultorias externas costumam exigir meses de adaptação. Quando o criador é o usuário final, o ajuste acontece em tempo real. Erros de usabilidade somem na primeira semana. A adoção é imediata — porque ninguém precisa “aprender” o que ajudou a desenhar.

Esse modelo também reduz o gargalo de TI. Desenvolvedores seniores passam a atuar como arquitetos e validadores, não como fábrica de solicitações.

Os limites que ninguém ignora

Nem todo problema pede IA. O programa exige que a proposta passe por critérios de viabilidade, segurança de dados e retorno mensurável. Soluções que não se pagam em até três ciclos de uso são descartadas ou redesenhadas.

Além disso, a governança de modelos de linguagem — alucinações, vazamento de dados sensíveis, viés — permanece sob responsabilidade de um comitê técnico. O “citizen developer” tem autonomia, mas não carta branca.

O que observar daqui para frente

A Riachuelo planeja escalar o Builders para todas as unidades de negócio até o fim do ano. A métrica de sucesso não é quantidade de ferramentas lançadas, e sim horas líquidas devolvidas à operação.

Para quem lidera equipes ou gere orçamentos, o recado é claro: a barreira de entrada para criar com IA caiu. O diferencial não está mais em saber programar, mas em saber qual problema vale a pena resolver.