O Brasil colheu 1,6 milhão de toneladas de maçã na safra atual, volume inédito que transforma o país de importador histórico em fornecedor para 93 nações. O salto produtivo de 88% frente à média recente derrubou o preço da fruta em 16% nas gôndolas paulistanas, mas conflitos no Oriente Médio frearam a meta de 100 mil toneladas exportadas.
Exportações disparam 274%, mas geopolítica impõe teto
Entre janeiro e setembro, os embarques somaram 49 mil toneladas, alta de 274% sobre igual período do ano anterior. A Índia liderou as compras com 18 mil toneladas, seguida por Arábia Saudita, Rússia, Portugal e Irlanda.
A meta da associação do setor (ABPM) era ultrapassar 100 mil toneladas vendidas ao exterior. O principal obstáculo não foi a oferta, mas a instabilidade no Oriente Médio, destino tradicional da fruta brasileira. Como consequência, as importações nacionais recuaram 41%, para 84 mil toneladas, sinalizando autossuficiência crescente.
Duopólio sulino e tecnologia de ponta no pomar
Santa Catarina e Rio Grande do Sul respondem por 90% da produção nacional. A busca por qualidade e volume elevou o investimento em insumos biológicos: a Rasip Agro, referência desde os anos 1970, mobilizou 350 milhões de abelhas para a polinização da safra 2026/27.
- 6.400 colmeias distribuídas em 1.385 hectares;
- Aumento de 17% no número de colmeias frente à safra passada;
- Operação logística envolvendo 27 fornecedores de enxames.
Para a diretoria da empresa, a polinização controlada é o diferencial que garante frutos padronizados e alta produtividade, complementando o pacote tecnológico de manejo climático e genética.
Safra 2026/27 largada com clima favorável
O inverno rigoroso e a florada abundante criaram cenário otimista para o próximo ciclo, com colheita das variedades Gala e Fuji prevista para o início de 2027. A entidade setorial evita projetar números, mas admite que a base climática atual repete as condições que levaram ao recorde atual.
Enquanto a colheita futura amadurece, a estratégia comercial mira a diversificação de destinos. México e Malásia estão no radar para reduzir a dependência de mercados voláteis, especialmente no Golfo Pérsico.
Ganho real para o consumidor doméstico
A supersafra não ficou restrita ao balanço comercial. Dados da Fipe confirmam que, de janeiro a setembro, a maçã ficou 16% mais barata em supermercados e feiras de São Paulo. O aumento da oferta interna, somado à menor necessidade de importação, transferiu ganho de escala direto para o varejo.
O que observar nos próximos trimestres
A consolidação do Brasil como player global dependerá de três variáveis: a abertura sanitária de novos mercados (México e Malásia), a estabilidade logística no Mar Vermelho e a manutenção do padrão climático favorável no Sul. Se o cenário se mantiver, a tendência é de novos recordes e pressão contínua sobre preços internos, beneficiando a margem do varejista e o poder de compra das famílias.
