A Agência Internacional de Energia (IEA) acaba de confirmar: a escassez de diesel deve se estender até 2027, pressionando custos em toda a cadeia produtiva. O motivo não é apenas a guerra — é a combinação letal entre infraestrutura destruída e estoques sendo drenados antes do inverno. O que isso significa para o seu negócio nos próximos meses?
Margens recordes revelam a gravidade do aperto
Em setembro, o prêmio do diesel sobre o petróleo bruto — a margem de refino — atingiu US$ 95 por barril (cerca de R$ 477), nível nunca visto. Essa disparada reflete a perda real de capacidade: ataques a instalações energéticas no Irã e na Ucrânia tiraram de circulação 1,3 milhão de barris por dia das exportações combinadas do Oriente Médio e da Rússia.
Não é especulação de mercado. É física: menos refino ativo significa menos diesel disponível justo quando a demanda sazonal começa a subir.
O impacto direto no caixa das empresas
A IEA é direta: “preços recordes já causam amplas consequências econômicas, elevando o custo dos produtos e afetando a renda real, a atividade econômica e a inflação”. Para quem transporta, produz ou colhe, o diesel não é insumo opcional — é a base operacional. Cada centavo a mais no litro comprime margens ou repassa para o consumidor final.
Setores como agronegócio, logística rodoviária e indústria de transformação sentem primeiro. O efeito cascata atinge até o preço da cesta básica.
Recuperação das refinarias não fecha a conta
A agência prevê que as refinarias globais voltem a operar com mais força no fim deste ano. Parece alívio, mas não é. O reabastecimento dos estoques será “insuficiente para compensar o déficit acumulado nos mercados de destilados médios”, classifica o relatório. O buraco cavado em 2024 é fundo demais para ser tapado em poucos meses.
Destilados médios incluem diesel, gasóleo e combustível de aviação. Todos no mesmo aperto.
Reservas de emergência: o amortecedor está secando
Para conter a alta, países-membros da IEA coordenaram a liberação de 100 milhões de barris de petróleo e diesel. Até setembro, 331 milhões já tinham saído das cavernas estratégicas. O ritmo, porém, caiu vertiginosamente: de 2,2 milhões de barris/dia (março a junho) para 270 mil barris/dia em setembro.
- Europa ainda deve liberar 46 milhões de barris
- Américas têm 40 milhões pendentes
- Ásia-Oceania guarda os últimos 10 milhões
Do total de 1 bilhão de barris em reservas governamentais, mais de 200 milhões são de diesel. Cada retirada reduz a margem de segurança contra choques futuros — greves, furacões, novos conflitos.
O cenário para 2026 e 2027: alívio tardio
A demanda global por petróleo deve cair 2,6 milhões de bpd em 2026, sendo 25% só no diesel. Do lado da oferta, a IEA projeta queda de 5,8 milhões de bpd este ano, seguida de alta de 7,7 milhões em 2027 — o que devolveria o mercado a superávit.
Mas “superávit em 2027” não resolve o aperto de 2025 e 2026. Quem precisa planejar frota, safra ou orçamento industrial não pode esperar três anos.
O que observar daqui para frente
Três variáveis ditam o ritmo da normalização: a velocidade real da volta das refinarias atacadas, a disposição política para manter liberações de reserva e o comportamento da demanda chinesa — ainda incerta. Monitorar os relatórios mensais da IEA e os dados semanais de estoques da EIA (EUA) deixa de ser rotina e vira ferramenta de gestão de risco. Quem antecipa contratos ou diversifica matriz energética agora ganha tempo; quem espera o alívio prometido para 2027 pode não ter fôlego para chegar lá.
