O Bank of America foi multado em US$ 1,2 bilhão pelo Tesouro dos Estados Unidos por falhas graves no monitoramento de lavagem de dinheiro. A penalidade expõe falhas sistêmicas que permitiram a circulação de recursos ilícitos por anos — e levanta dúvidas sobre a capacidade dos grandes bancos de se autorregularem.
O órgão regulador identificou que a instituição deixou de reportar mais de US$ 5 bilhões em transações suspeitas à FinCEN, a agência federal de combate a crimes financeiros. Desse total, pelo menos US$ 1 bilhão envolvia operações com indícios claros de risco elevado.
Onde a fiscalização falhou
A investigação revelou que os sistemas de controle do banco não capturaram padrões básicos de movimentação atípica. Contas movimentavam valores incompatíveis com o perfil dos titulares, transferências eram fracionadas para escapar de alertas automáticos e clientes de alto risco seguiam operando sem revisão periódica.
Documentos internos mostram que equipes de compliance alertaram a direção sobre as lacunas, mas as correções foram adiadas ou implementadas de forma parcial. O resultado: anos de dados não reportados que agora retroalimentam investigações criminais em andamento.
Impacto direto para investidores e correntistas
A multa representa cerca de 1,5% do lucro líquido anual do banco — um valor absorvível no balanço, mas o custo reputacional é mais difícil de mensurar. Acionistas já questionam a governança de risco em assembleias recentes.
- Provisões adicionais: o banco reservou US$ 2,3 bi para litígios regulatórios no último trimestre
- Rating de conformidade: agências de risco reavaliam notas de governança (ESG)
- Clientes corporativos: grandes contas revisam mandatos de custódia e pagamentos
O precedente que muda o jogo
Esta é a maior sanção aplicada pela FinCEN a uma instituição sistêmica desde 2018. O sinal é claro: o regulador passa a exigir investimento em tecnologia de monitoramento em tempo real, não apenas relatórios retroativos. Bancos menores, com orçamentos de compliance mais enxutos, terão dificuldade em acompanhar o novo padrão.
Especialistas estimam que o setor gaste coletivamente US$ 8 a 12 bilhões nos próximos dois anos apenas em adequação de sistemas — custo que, em parte, será repassado a tarifas e spreads.
O que observar daqui pra frente
O acordo exige um monitor independente por três anos, com relatórios trimestrais públicos. A primeira entrega está prevista para março de 2025. Se o banco não demonstrar progresso mensurável na taxa de detecção e reporte de operações suspeitas, sanções adicionais — incluindo restrições a novas aquisições — entram em vigor automaticamente. Para quem opera no mercado financeiro ou depende de serviços bancários corporativos, o calendário de adequação do Bank of America virou referência de compliance mínimo aceitável.
