O ministro da Fazenda, Dario Durigan, senta-se hoje com gigantes da indústria para definir as alíquotas do novo Imposto Seletivo — tributo que estreia em 2027 e deve injetar R$ 41,9 bilhões nos cofres federais no primeiro ano. A conta, no entanto, pode chegar antes do previsto para quem consome bebidas, cigarros, veículos ou serviços de apostas.
A reunião desta terça-feira (13) reúne nomes como Ambev, Coca-Cola, Embraer, Philip Morris e a CNI. O objetivo: fechar um acordo que sobreviva à troca de governo, custe o que custar.
O que entra na mira do novo imposto
Criado pela reforma tributária, o Imposto Seletivo (IS) substitui parte do antigo IPI. A lógica é simples: taxar o que faz mal à saúde ou ao meio ambiente. A lista é ampla e atinge setores que movem bilhões:
- Veículos de passageiros e utilitários leves (combustão, híbridos e elétricos)
- Aeronaves e embarcações motorizadas
- Tabaco em todas as formas — cigarro, charuto, cigarrilha, produtos com nicotina
- Bebidas alcoólicas e açucaradas
- Bens minerais (minério, petróleo, gás)
- Apostas — concursos de prognósticos e fantasy sport
Duas rotas jurídicas, um mesmo dilema: o tempo
O governo avalia dois caminhos para definir as alíquotas. Se optar por emenda constitucional, escapa da regra da noventena — os 90 dias entre publicação e cobrança — e o imposto nasce valendo em 1º de janeiro de 2027. Se a escolha for medida provisória, a noventena se aplica e a arrecadação só começa em abril.
Cada mês de atraso equivale a cerca de R$ 3,5 bilhões a menos no orçamento. A peça orçamentária de 2025 já conta com esse dinheiro.
O acordo político por trás dos números
Independente do instrumento jurídico, a decisão final fica para após o segundo turno das eleições, em 25 de outubro. A estratégia é blindar o combinado com os setores: quem ganhar a presidência herdará as alíquotas pactuadas agora.
Robinson Barreirinhas, secretário da Receita Federal, participa das conversas. A presença dele sinaliza que a operacionalização da cobrança já está no radar técnico, não apenas no político.
Setores se movimentam para reduzir o impacto
A União Brasileira de Vitivinicultura, o Instituto Brasileiro da Cachaça e a Associação Brasileira de Bebidas Destiladas estão na mesa. O mesmo vale para a indústria aeroespacial (Embraer e Aiab) e de mineração (Ibram). Cada entidade busca alíquotas diferenciadas ou regimes de transição.
O setor de bebidas açucaradas e alcoólicas concentra a maior arrecadação potencial. Já veículos elétricos e híbridos entram na lista apesar do apelo ambiental — a justificativa é o impacto da extração de lítio e cobalto.
O que observar nos próximos meses
O calendário agora ditado pelas urnas: após 25 de outubro, o texto final das alíquotas será encaminhado ao Congresso. A votação deve ocorrer em regime de urgência. Para empresas dos setores listados, o planejamento tributário de 2027 começa agora — margens, preços e cadeias de fornecimento precisam absorver o choque.
Para o consumidor, a conta chega no caixa: cerveja, refrigerante, cigarros, carros e passagens aéreas tendem a ficar mais caros. A dúvida que fica é quanto — e se o governo conseguirá fazer a máquina girar a tempo de janeiro.
