Economia

JBS mira mercado de US$ 101 bi com proteínas em cerveja, requeijão e snacks

Produtos inovadores da JBS Genu-in Solutions: cerveja proteica, requeijão e snacks à base de proteína
Nova divisão da JBS transforma proteínas em alimentos do dia a dia como cerveja sem álcool e requeijão

A JBS, controlada pelos irmãos Batista, acaba de criar uma divisão inteira para transformar ingredientes proteicos em alimentos do dia a dia — de requeijão a cerveja sem álcool. O alvo é um mercado global projetado em US$ 101,6 bilhões até 2030, com crescimento médio de 6,2% ao ano. A jogada tira a companhia da zona de conforto da commodity e a coloca no centro da inovação de produto.

A nova unidade, batizada de Genu-in Solutions, nasce dentro da JBS Novos Negócios. Ela não vende apenas a matéria-prima; entrega a receita, os testes de laboratório, a adequação regulatória e até o plano logístico para que outras marcas lancem versões “high protein” sem dor de cabeça.

O que muda para a indústria de alimentos

Até pouco tempo, proteína extra era sinônimo de pote de whey ou barra para marombeiro. Hoje, o consumidor comum quer iogurte, pão, água ou snack com mais proteína — e sem gosto de suplemento. Essa demanda empurrou a JBS a estruturar um serviço “ponta a ponta” para quem quer surfar essa onda sem montar um centro de P&D próprio.

O modelo é flexível: o cliente contreta só a etapa que falta — seja a estabilização da bebida, o estudo de shelf-life ou a formatação do rótulo — ou entrega o projeto inteiro para a equipe de Campinas tocar do zero ao varejo.

Snack de 44% de proteína já está pronto para a gôndola

O primeiro “filho” da Genu-in Solutions é um puff proteico com 44% de proteína na composição. Foram 18 meses de desenvolvimento, testes de estabilidade e avaliações regulatórias concluídas. O produto está liberado para venda; a JBS não cravou data, mas a prontidão técnica sinaliza velocidade de execução rara no setor.

Em paralelo, gomas de colágeno e bebidas prontas para beber (RTDs) estão em fase avançada. A ideia é clear: transformar ingrediente técnico em produto de massa, alcançando quem nunca pisou numa loja de suplementos.

Ciência de bancada em Campinas, parceria com o Ital

Tudo passa pelo Centro de Inovação e Desenvolvimento de Colágeno, em Campinas (SP). Lá, pesquisadores da Genu-in, da Novapron+ e do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) testam como diferentes proteínas se comportam em lácteos, chocolates, panificados, carnes processadas e snacks.

O foco não é apenas “colocar mais proteína”, garante Vivian Zague, diretora de Pesquisa, Saúde e Nutrição. O desafio real é manter textura, sabor, aparência e conservação — o requeijão tem de continuar cremoso, a cerveja sem álcool precisa ficar límpida e estável. Erros são caçados em escala piloto antes de irem para a linha industrial, cortando risco e custo para o parceiro.

  • Categorias já testadas: requeijão, iogurtes, cervejas 0,0%, águas proteicas, barras, snacks, refeições prontas, RTDs, gomas de colágeno.
  • Estrutura: laboratório + unidades-piloto + suporte regulatório + plano de comunicação.
  • Mercado-alvo: US$ 101,6 bi em 2030 (Grand View Research, CAGR 6,2%).

Por que a JBS apostou nessa direção agora

A proteína deixou de ser nicho de performance e virou atrativo de gôndola geral. Supermercados, farmácias e e-commerces ampliam prateleiras de “alto teor proteico” a cada trimestre. Para a JBS, isso significa diversificar receita: menos dependência do ciclo da carne, mais valor agregado por quilo de matéria-prima vendida.

Ao oferecer a estrutura tecnológica como serviço, a empresa captura margem em duas pontas — vende o ingrediente e cobra pelo desenvolvimento. É a transição clássica de commodity para plataforma de inovação, só que em escala industrial brasileira.

O que observar nos próximos trimestres

Fique de olho na velocidade de assinatura de contratos com grandes marcas de lácteos e bebidas — esse será o termômetro real da tração da Genu-in Solutions. Outro ponto: a entrada do puff de 44% no varejo e a reação do consumidor ao preço. Se a aceitação vier forte, a JBS terá um case replicável para dezenas de categorias, consolidando a tese de que proteína virou ingrediente de massa, não mais de nicho.